Escultura em movimento (pó de vir a ser)

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Primeiro, o nome. Pó de vir a ser. Pode. Podia. Podia lá haver nome mais bonito para uma associação que nasceu para “fazer da escultura uma coisa para todos”?

(Lembro-me de ouvir o nome, recém-chegada ao Alentejo, e dizer, bolas, que nome mais bem pensado, mais um bocadinho e contrato-os para copy.)

Demorei muito tempo a vir conhecer este lugar. Não tempo de mais, só muito. Bom, algum. Passaram dois anos e depois de passar várias vezes à porta do antigo Matadouro de Évora, finalmente entrei. Fica no número 58 da Rua de Machede. Vale a pena.

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Aspas

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Há pessoas que gostam muito de colocar as coisas entre aspas. Assim: “entre aspas”.

Que bonito.

A mim enervam-me. São uma suspensão escusada. Denotam uma falta de convicção, naquilo que se diz e se escreve, que faz dó.

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design x life

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Será que o design pode salvar o mundo? Provavelmente não, mas pode dar uma ajuda.

Foi a pensar naquilo que cada um pode dar a partir do seu bocadinho de mundo que Sam Baron, designer incroyable, e Karine Scherrer, fundadora da galeriaArt Design Lab lançaram a iniciativa solidária Design X Life.

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Abraço

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Na praia, não havia nada que gostasse mais de fazer do que procurar conchinhas. Primeiro conchinhas, depois pedras de vários feitios cores densidades porosidades. Era uma ocupação.

De mão dada, à beira-mar, o avô ordenava às ondas que deixassem de rugir e sossegassem. Elas obedeciam sempre, lindas meninas. Ela podia apanhar mais conchas à vontade.

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Frère Jacques

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Primeiro, foi Brel. Ne me quitte pas, disse-lhe, e ele continuou como um louco, doce, feio-bonito, a correr atrás das estrelas. Depois veio Prévert e uma história admirável sobre um dromedário, que lia sempre aos domingos de manhã, devidamente acompanhada de bolachas maria. E finalmente Tati, de todos o maior, alma gémea em décalage, encontro desencontrado, inexplicável adoração.

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Manifestação

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composition.jpgDizem-me que é preciso manifestar. Dizem-me que sou muito boa a manifestar casas. Quero dizer, visualizo-as e elas acontecem. Pode ser que seja verdade. Pode ser que tenha de apurar esse sentido, onde manifesto as manifestações.

(Será que está na altura de convocar uma mánif?)

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Arábias

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Revi um filme de Jean Rouch que mete girafas e carros, e voltei a Nova Iorque, para onde esta clausura me tem levado algumas vezes sem eu pedir. É espantosa a capacidade que temos de desaparecer, escorregando para outros lugares e outros tempos, de olhos bem abertos, sem sair do sofá. Noutra altura diria: quero viver aqui e agora. Acontece que o confinamento tem uma elasticidade surpreendente e neste aqui, agora mesmo, cabem uma data de coisas felizes memoráveis irrepetíveis esplendorosas e banalíssimas até.

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Veludo

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Às vezes era preciso abrandar, e então ouvia Sade Adu como num círculo e ficava ali presa naquela doçura. Em repeat, em repeat. Lentamente, contra a correria. Smooth Operator. Sweetest Taboo. Tudo com muito ritmo e muito veludo e muito sentimento. “Sentiment”. Saxofone também.

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Saudades (o mundo inteiro)

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infinity

Do caos das cidades, das paredes dos museus, dos jardins da Gulbenkian, dos jacarandás de Évora, das pontes, dos arcos, das arcadas, dos areais, dos concertos em particular e de todas as aglomerações de gente em geral, das salas de cinema, das pistas de dança,

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Domingo

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Sobre as tábuas de madeira há pelo menos 17 sobremesas. Por cima da mesa, no jardim, uma vela de navio coa a luz. As luzes, as vozes, ouvem-se três quarteirões mais abaixo, na esquina da rua das lojas.

É preciso ser-se um bocadinho louco.

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