A Vida a Fazer-Se


G., o meu filho de seis anos, entretém-se a brincar com um velho Mac que um dia se estatelou no chão, deixou de poder fechar-se e passou de portátil a estático num segundo. Eu já não posso levá-lo comigo nas minhas andanças, mas G. não se importa. Para além de ver o desfile de bandeirinhas de todos os países possíveis e impossíveis na barra de idiomas, o meu filho perde-se pelo iPhoto. Passa horas a ver fotografias, recorta-as, dá-lhes voltas. Mas o verdadeiro prazer é fazê-las correr, umas atrás das outras,o dedo imparável numa vertigem de imagens que se sucedem. “Mãe, queres ver a vida a fazer-se?” pergunta G., sorriso luminoso. De repente lembro-me de Godard. “Le cinéma, c’est 24 fois la verité par seconde”.

Imagem: Jean Seberg em À Bout de Souffle (1960). Pergunto-me o que dirá G. quando descobrir os jump cuts.

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