Wild Thing


Estou à vontade para dizer bem. Ainda não levei G. a ver O Sítio das Coisas Selvagens, a adaptação de Spike Jonze do álbum ilustrado infantil Where the Wild Things Are (1963) de Maurice Sendak. Para não variar (a julgar pelo tom mauzinho de pelo menos uma crítica do Público) parece que o filme fica aquém do livro. E assim, às cegas e à partida, cheira-me que o filme é mais para os pais do que para os filhos. Ou para os pais (entre os quais me incluo) que adoram a ideia de levar o broto a ver um filme de Spike Jonze. É cool, e há que assumi-lo. Por alguma razão a banda sonora é de Arcade Fire (que nem são, perdoem-me, my cup of tea…)
Reconhecendo que quero ver o filme porque amei viajar para dentro da cabeça de John Malkovich (que também não é, perdoem-me outra vez, my cup of tea), não é menos verdade que quero fazê-lo na companhia do meu filho mais velho, que foi justamente quem me apresentou aos monstrinhos em questão. Não os de Jim Henson, que preenchem o filme de Jonze, mas os originais, criados por Sendak. Este clássico da literatura infantil anglo-saxónica chegou-nos pela mão dos franceses, na edição L’École des Loisirs, que todos os anos religiosamente assinamos… Do lado de lá dos Pirenéus tem um título musical: Max et les Maximonstres, e durante o ano passado foi uma das nossas leituras preferidas de sexta-feira à noite. A história de Max, um menino que fica de castigo e vai para a cama sem jantar, só para viajar para o país dos monstros, onde é rei, e depois regressar ao ninho, deixava-nos embasbacados. Porque sendo próxima, é inesperada e bela. Simples e concisa, é incrivelmente rica e profunda. E nada recomendável, como se quer (o filho começa por chamar “monstro” à mãe, que o manda para a cama sem jantar, mas quando ele regressa da viagem – da trip, convenhamos- tem a comida à sua espera, porque mãe é mãe e precisamos de um final feliz). Amanhã, talvez consiga levar G. a ver o filme. Entretanto, estou à vontade para dizer bem. You make my heart sing.

(imagem: ilustração do livro de Maurice Sendak, Where the Wild Things Are (1963). A edição portuguesa, que saiu em Dezembro, chama-se Onde Vivem os Monstros, e podem vê-la aqui)

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