O Verde Vende (Stella McCartney)

A primeira coisa que aparece quando googlo a nova loja de Stella McCartney em Milão, é um site sobre vegeterianismo e celebridades. Vegeterianismo e celebridades. Dois temas que cada vez me causam mais náuseas (e não sou fundamentalista: cada vez como menos carne). Isso acontece porque Stella é uma activista veggie (perdão, vegan)  e faz questão de que a sua nova loja em Milão tenha um certificado LEED, que para quem não sabe é uma certidão “verde” que atesta que o lugar é amigo do ambiente, usa os recursos energéticos com eficiência e tem juizinho nas emissões de carbono.

Tudo isto é muito bonito, faz todo o sentido, e eu subscrevo e aplaudo. Mas o que eu queria mesmo, mesmo, saber, era de quem era o projecto da loja, o que é que se passa lá dentro, de que era feito aquele chão maravilhoso, geométrico e colorido desenhado pelos meus queridos Raw Edges, que vi por aí.

Tudo muito fútil quando comparado com o destino do planeta (e dos pobres animaizinhos), mas ainda assim, era aquilo que eu queria saber sobre a nova loja da Stella McCartney em Milão. Mais: aquilo que eu precisava de saber, não só para alimentar este blogue, mas para alimentar a minha prole,  já que o princípio da busca foi um trabalho que me encomendaram, sobre lojas com dézaine.

É óbvio que a onda verde está a cobrir o mundo. E teoricamente é bom que se torne uma prioridade, e que o certificado LEED apareça no topo da lista do google, ultrapassando as “futilidades”, mesmo que se associe a uma futilidade ainda maior (o facto de Stella ser uma celebridade que não come animais). O problema é que há muito boa gente que se cola à onda verde só porque é cool, ou, o que ainda é pior, porque vende (este não é o caso de Stella que não precisa de mais nada para vender e que ainda por cima parece que acredita mesmo na onda). É impressionante a quantidade de empresas que de repente despertaram para a sustentabilidade. É assustador ver como os media vão atrás e abrem secções “verde” que servem, basicamente, para bajular essas empresas (e ampliar as receitas de publicidade).

No meio desta histeria colectiva pergunto-me o que fazemos, realmente, pelo planeta. Que é o mesmo que dizer: por nós. Desligamos os aquecedores? Reciclamos? Enchemos a máquina até ao limite? Fechamos a torneira enquanto escovamos os dentes? Prescindimos de comprar mais uma cadeira?

A César o que é de César: a nova loja de Stella McCartney em Milão é um projecto do atelier Londrino APA, concebido como uma intersecção entre o mundo da moda, a arte e o design. O APA, que já fez trabalhos para a Adidas e a Established & Sons, tem como lema “ser independente, optimista e livre”, o que é bonito. A loja, num antigo Palazzo Milanês, tem um bocadinho de galeria de arte (quase tudo está exposto nas paredes, pendurado em esculturas de metal, ou muito perto das paredes) e muito ar. Tem um fabuloso chão de madeira, colorido “taco a taco”, da autoria de Yael Mer e Shay Alkalay.

(na imagem, a flagship store de Stella McCartney em Milão, cortesia do APA, que também me enviou imensa informação sobre o projecto, o que me permitiu fazer este post e o tal trabalho, à margem da Net! Sinto-me uma fora-da-lei. E o site deles já agora fica aqui, como prova da minha infinita gratidão: www.apalondon.co.uk)

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