Perspectives (Espace Culturel Louis Vuitton)

Visita-relâmpago a Paris para uma preview da exposição Perspectives, que inaugura hoje no Espace Culturel Louis Vuitton. A visita-relâmpago a Paris foi mais uma visita-relâmpago aos Champs Elysées, com uma descida muito rápida à Avenue Montaigne para tratar de uma encomenda pour maman. Mas valeu a pena. Como vale sempre a pena levantar vôo e distanciarmo-nos daqui. De nós. Uma questão de perspectiva.

Cinco horas no meio dos gauleses (e japoneses, e americanos, e brasileiros com poder de compra) e percebemos como estão mesmo fous, ces gaulois… e não são só eles. A impressionante fila à porta da Maison monogramática, mini multidão serpenteando à frente do Fouquet’s como a cauda de um dragão oriental, fez-me pensar onde parará a crise que nos atormenta. E como não são só os museus, mas as lojas (as maisons das Maisons) os novos lugares de culto da contemporaneidade.

Distantes, fomos espreitar o outro, subindo pelo elevador de Olafur Eliasson, “Votre Perte des Sens”, uma caixa negra (totalmente negra) criada para nos fazer perder o(s) sentido(s), num mergulho fugaz e profundo ao interior de nós próprios. O mergulho invertido não é uma descida aos infernos, mas uma subida ao s céus de Paris, já que termina no sétimo andar do edifício, onde, para além de uma esplendorosa vista sobre a cidade, descobrimos o encontro, à tangente, é certo, entre a arquitecta Odile Decq e a jovem artista plástica Camille Henrot. Duas mulheres, duas francesas, duas gerações, que se cruzam numa nova perspectiva.

Não podiam ser mais diferentes: a arquitecta punk (responsável pela recente ampliação do MACRO em Roma) e a menina de cara-lavada (finalista do Prix Marcel Duchamp) e é por isso que faz tanto sentido que apareçam juntas. Na exposição (ao todo 16 peças, a maioria de Henrot) propõem-se dois percursos paralelos, mas que acabam por se encontrar, ou dialogar, ou tocar (tangencialmente, lá está) como quando um tapete de Henrot, paisagem plana e símbolo do nomadismo perdido, desemboca no trompe l’oeil tridimensional de Decq, uma instalação vertiginosa que nos deixa em queda sobre Paris.

É o trabalho de Henrot que mais surpreende, pela sua reapropriação de objectos e culturas, reconstruídos ou dinamitados numa antropologia pessoal em construção, que, no limite, não faz mais do que lembrar-nos da impossibilidade (inutilidade) de tentar conhecer o outro. Porque é inevitável partirmos do nosso ponto de vista para entender o outro, porque o etnocentrismo define todas as culturas, faz todo o sentido olhar o encontro entre sociedades como um encontro amoroso: onde há desejo, mas também mal-entendido.

Através de vídeo, escultura, desenho, gravura, fotografia, e a partir de diversos materiais (de objets trouvés a detritos da indústria automóvel, de materiais orgânicos a asas de avião) Camille Henrot leva-nos numa viagem/promenade transformadora.

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