Useless: o programa

A melhor notícia da apresentação do programa da 6ª edição da Bienal Experimentadesign, que decorrerá de 28 de Setembro a 29 de Novembro em Lisboa, é que tudo se vai passar num raio relativamente condensado: entre o Jardim das Amoreiras e a Sé. Vem mesmo a calhar, é muito mais ecológico e facilita imenso a vida a quem, como eu, tem de trabalhar, quer ver tudo e ainda chegar a casa a tempo de ler uma história às crias expectantes. Mas isto são apenas considerações pessoais. O resto, o que realmente importa, é que Experimenta levantou o véu e anunciou (ainda que com poucos pormenores, sobretudo relativamente a quem vai fazer o quê e onde, isso fica para Julho) o que tem preparado para nós ao longo dos últimos dois anos.
O tema da bienal – Useless – é estimulante e criativo por natureza (ou não fossem a inutilidade, os hiatos, os aparentes “tempos mortos” e até os lapsos, verdadeiras “estrelas que dançam”), mas, mais do que isso, é um tema extraordinariamente oportuno nos tempos que correm.
Useless, ou “use less”, é um apelo manifesto para usarmos menos, mas também, e sobretudo, para usarmos de outra forma. Uma forma porventura mais lírica e sem preconceitos, onde o próprio conceito de inutilidade é examinado e reavaliado e onde o design assume que se (des)obececou definitivamente da função.
Agora o programa: os nomes e lugares estão praticamente todos em modo TBA, mas já podemos antever o que se vai passar. Este ano serão 3 as exposições centrais, e o meu palpite vai para “Sidelines: Colecções Pessoais em Instituições Inesperadas”, uma série de colecções privadas que estarão espalhadas por vários museus e instituições pouco conhecidos de Lisboa, criando justaposições e diálogos inéditos. A ideia de espraiar a exposição em vários núcleos é, por si só, uma lufada de ar fresco, e agora resta esperar que o conteúdo acompanhe. Continuam as Conferências de Lisboa, as Open Talks e o Ciclo de Cinema, os projectos especiais (com novos protocolos assinados com a ModaLisboa e o MUDE) e os tangenciais.
Mas é no capítulo novidades que se esperam as melhores supresas. A primeira: uma série de exposições monográficas dedicadas a designers portugueses com o nome provocador “Don’t Look Back” cuja primeira edição se debruça sobre o trabalho de Fernando Brízio. Era previsível mas a escolha é óbvia, obrigatória e more than welcome. A segunda: o projecto Platform, que se estenderá para além da EXD 11 e que procurará transformar a cidade de Lisboa num núcleo/filtro para onde convergem os projectos, pessoas e empresas mais experimentais e inovadores na área do design. A terceira: o lançamento de dois livros, um que olha retrospectivamente para a última edição da Bienal, uma espécie de review de “It’s About Time” e outro que, numa perspectiva mais curatorial e académica, reúne ensaios transdisciplinares sobre o tema lançado nesta edição: Useless. Muito se espera desta iniciativa na área da edição, o registo que faltava à EXD, e o facto de Frederico Duarte estar a coordenar o projecto (não disseram, mas nós sabemos) só pode ser um bom presságio.
Estas novidades são os três “Wow moments” antecipados da Experimenta que se avizinha. Nada inúteis, como se vê. E aqui tão perto.

(na imagem o press kit e o poster com a programação da Bienal Experimentadesign 11, um trabalho exemplar da equipa de design gráfico da EXD, a mostrar que é nos tempos desligados, entre gatafunhos e rabiscos, nas brechas inesperadas, que a criatividade tem mais espaço para explodir)

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