Reccomended Reading (O mundo é um lenço)


A manhã na Loja do Cidadão foi muito mais amena na companhia destes Contos Carnívoros que se devoram à dentada, mas são para mastigar pelo menos 365 vezes, para prolongar o sabor. A tradução tem algumas – poucas –  gralhas, ou lapsos, mas até essa imperfeição parece feita à medida deste livrinho que encontrei por acaso e comprei por equívoco (estava à procura de outro, da mesma editora, que entretanto encontrei e já trouxe para casa). Normalmente prefiro os livros curtos e bons, mas este é daqueles que gostavámos que se prolongasse assim, intermitente, irreverente, absurdo e surreal, por mais de 800 páginas. São só 222 (se descontarmos o posfácio de D. Enrique Vila-Matas) e todas valem a pena como se fossem a primeira. O autor é Bernard Quiriny, um belga da colheita de 1978 que nos faz perceber que o cinzento plat pays não terminou com Brel. Foi uma deliciosa descoberta, com a chancela de uma editora que desconhecia mas que deixa bem claras as suas intenções (chama-se Ahab e o logo é a silhueta do perneta capitão de Melville) e que, fiquei agora a saber enquanto procurava o link, ganhou o prémio editora revelação da revista Ler.

E já que estou numa de intertextualidade, dou um saltinho (para trás, como se pode apreciar na fotografia) até Cesare Pavese (só o nome é um poema) que antes de escrever “A Praia”, traduziu… Melville.

El mundo es um panuelo (com n espanhol, mas não encontro a tecla).

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