Dia C

Dia C (de criança) e decidimos fazer uma excursão pelo Bairro. Não o bairro onde vivemos, o Bairro onde já vivemos e onde talvez, improvavelmente, gostássemos de voltar viver. O Alto.

Eu e G. descendo a Rua da Rosa à procura de um chapéu e de graffiti. O chapéu, um Panamá de palha finíssima, ficou na loja. Voou, antes mesmo de o ter posto na cabeça. Mas já dizia o senhor meu pai, e antes dele Vasco Santana, “Chapéus há muitos!”.  É sempre bom lembrar. (“Seu palerma!”).

O chapéu voou, mas os graffiti ficaram para sempre presos na rede da máquina de fotografar.

G. anda doido com graffiti. Ainda não lhe mostrei Keith Haring, o que é grave, nem Basquiat, o que é ainda mais grave, mas tempo ao tempo. Era o Dia C e partimos “graffiti hunting” pelas ruas do Bairro, como quem caça borboletas. O que G. queria mesmo, mesmo, era ver de perto o mural de Campolide. Mas consegui dissuadi-lo, acenando com um gelado no Chiado. Chique a valer.

 

Ainda antes de nos armarmos em burgueses, as bolas do gelado a derreterem cone abaixo, rua abaixo, fizemos uma brevíssima paragem na ZDB, para ver a exposição de arte revolucionária de Emory Douglas e os Black Panthers. Não é só “All Power to the People”, é Power tout court, apesar de, em matéria de afinidades revolucionárias, a minha inclinação ser, claramente, o mais poético Maio de 68.

O melhor de tudo: ver G. a crescer numa cidade como Lisboa. Com estas ruas e estas janelas e estas vistas e estas casas. Olé.

 

 

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