Fernando Brízio: Desenho Habitado

Fernando Brízio: Desenho Habitado, a exposição que abriu oficialmente a EXD 11, não tem todo o Brízio, mas quase (nem era essa intenção, como explica Carla Cardoso, que trabalhou de muito, muito perto esta exposição, num texto introdutório).
Ainda não tive tempo de olhar para trás (estarei a seguir o conselho sem querer? A série na qual esta antológica se integra, dedicada aos designers portugueses contemporâneos, chama-se, com algum desafio, “don’t look back”) mas pareceu-me um percurso umbilical. Até no próprio trajecto que propõe, um labirinto de salas e escadas, Antigo Convento do Carmo acima, que nos leva da profundeza exploratória do início, ao Brízio mais extrovertido, lúdico e luminoso.
É uma exposição intensíssima porque mergulhamos no universo de Brízio (acentuado pela voz e o corpo do designer, em vários vídeos realizados pela filha, Salomé Lamas, que interceptam e acompanham as peças, sem nunca serem intrusivos), às vezes até na sua quase intimidade (a bonita história do carimbo, procurem-na, não se esquece). Mas mais do que isso, é como se fossemos transportados para o “útero” criativo do designer, cabeça e coração e mãos, numa viagem afectiva e emotiva, que começa nos projectos iniciais, os que ninguém (ou quase ninguém) conhece e termina num grand finale, não apoteótico, que não é esse o género, mas sublime. Brízio é muito Brízio. E este desenho habitado, relacional e co-construído, onde todos somos actores, é belíssimo.

Anúncios

One response to Fernando Brízio: Desenho Habitado

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s