Truffaut e a minha avó

Se fosse vivo, Truffaut faria hoje 80 anos. Se fossem vivos, ele e a minha avó, que nasceu no ano do crash da bolsa, teriam apenas 3 anos de diferença. Nunca falei com ela sobre isso, mas hoje gostava de saber o que pensava a minha avó Madalena dos filmes de Truffaut.

O pai – certinho – da Nouvelle Vague era maluco por livros. Isso vê-se em todos os filmes (pelo menos em todos os filmes que vi de Truffaut), das leituras clandestinas de Antoine Doinel às fogueiras fascistas. Vê-se também na maravilhosa e imperfeita adaptação do romance autobiográfico “Jules et Jim”, de Henri-Pierre Roché, um livro que Truffaut terá descoberto por acaso numa velha livraria de Paris (quando ressacava de uma paixão por La Deneuve). Os livros aparecem, de maneira obessiva, nos créditos meticulosamente anotados da “Deux anglaises et le continent”, outra adaptação de Roché.

Não sei que idade teria Truffaut l’année 2000, mas hoje teria feito 80 anos. E se estivesse vivo, talvez até tivesse visto os doodles feitos em sua honra  não um, mas três – o primeiro a congelar em pinceladas a freeze frame final dos “400 golpes”.

Se esse mar que se abre, infinito, é um dos meus finais preferidos, a sequência da ponte, em “Jules et Jim”, é a imagem mais poderosa, e amorosa, da liberdade. Adoro.

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