Peixinhos

Há uns dias que somos cinco lá em casa. Eu, os dois brotos, e um casal de peixes num aquário rectangular. Desconhecemos os sexos das criaturas subaquáticas, mas é indiscutível que são um casal. É esta tendência tão humana que temos para pôr as coisas aos pares: pessoas, bichos, sapatos, brincos.

S. e G. decidiram que os peixinhos são um casal hetero. Ao maior, um exemplar malhado de escamas prateadas e pretas, G. pôs o nome de “Edgar”. À mais pequena, uma fêmea com barbatanas serpenteantes de sereia dengosa, S. baptizou de “Madalena”. Depois chegou o mano, autoritário, e rebaptizou-a de “Esmeralda”.

Concordámos que ficaria Madalena Esmeralda, que é mau, mas podia ser bem pior.

Depois concluimos que o Edgar não podia ser menos, e ficar com um só nome. Ficou Edgar Rodrigues, ou Rodriguez, confesso que ainda não percebi.

Sentei-me à frente do aquário, a dança dos peixes é hipnótica e relaxa “cantidad”. Lembrei-me de Edgar G. Robinson, e imaginei como ficaria o peixinho de charuto. Pensei na Esmeralda de Notre Dame, e constatei que as ciganas às vezes parecem sereias. Com peixinhos assim, quem é que precisa de oceanos para nadar?

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