Jour/Nuit

Ao olhar para este trabalho de Inga Sempé, foi inevitável pensar no interruptor de Castiglioni. Desenhado num ano glorioso – 1968 – e perdido num anonimato voluntário, ficou para a história, cumprindo exactamente o destino para que fora desenhado: o de se diluir na malha da vida até não darmos por ele, dando.

Esta série de tomadas e interruptores de Sempé para a Legrand é exactamente o oposto. Damos imediatamente por eles, com os seus relevos e trompe-l’oeils, basculantes e finos, mas depressa esquecemos a sua excentricidade, por ser tão óbvia, evidente. Olhamos para eles, e percebemos que a sua inteligência os tornaria necessários em qualquer espaço pensado ao pormenor.

Claro que a olhar para este trabalho de Inga Sempé também pensei naquele filme da minha adolescência, e no escudeiro medieval, a aterrar perdido no século XX, convertendo a noite em dia, carregando no interruptor.

“Jour/Nuit, Jour/Nuit”.

Os interruptores e a facilidade imediata de transformar a noite em dia, de acender o dia na noite.  Como o cliché da vida, às vezes para cima, outras vezes para baixo. Não porque a vida às vezes seja boa, e outras  má, mas pela tirania de transformar o dia em noite, sem avisar.


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