Hotel Droog (vice-versa)

Sou das que pensam que um hotel, em princípio, não é um espaço para nos sentirmos “em casa”. Se fosse esse o objectivo, para quê sair de casa?
Num hotel, queremos estar “para lá” de casa. Confortáveis, sim, com almofadas leves e fofas e cobertores quentinhos, sim, mas longe. Fora.
E é para aí que vamos no Hotel Droog. Num edifício recuperado do séc. XVII em Amesterdão, a droog abriu um hotel provocateur, tão fora, que só tem um quarto (“the one and only room”). O quarto parece bem giro, num luminoso último andar, com candeeiros de Bertjan Pot e e mais uma data de mobiliário impossível, e até botijas de água quente trendy (existem, sim) mas para lá dormir convém reservar com muita antecedência.
Isso, entretanto, é um pormenor. Reservas, singles, duplos, suites… que tédio.
A lógica invertida percorre todo o espaço, que é claramente social (e comercial: há uma loja de roupa, outra de cosméticos, e uma espécie de supermercado droog com uma colecção de objectos editados pelo colectivo) e “contra”: aqui maximizam-se os espaços que normalmente são esquecidos num hotel. Há um só quarto, mas os espaços re-criativos nunca mais acabam. Um restaurante com mobiliário all white (todo droog designed), uma sala de exposições, as ditas lojas, e um delirante jardim interior com relva de plástico e seres vivos onde suspeitamos nem faltam os cogumelos (mágicos). Tudo muito droog e muito cool. Um hotel de pernas para o ar, como a droog manda.

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