Taxman na telefonia (dar a volta)

Vinha tranquilamente a ouvir  “Taxman”, dos Beatles, na Radar, e a pensar que apropriada é esta canção para os tempos sombrios que vivemos, que apropriada e que vibrante, viva – a voz de Harrison (sim, é dele)  a esticar-se, ácida, nos “A”s de tAx e de mAn, de uma maneira límpida e cortante, como só os brits conseguem fazer.

Vinha tranquilamente a descer uma das sete colinas desta cidade que resiste, e a pensar grande som, grande som, era mesmo disto que estava a precisar para começar bem o dia, para enfrentar o dia, para desgarrar o dia. E ignorar o dia, e todos os Taxman que nos sugam tudo para lá de tudo, para lá do tutano.

E há pouco feliz com o sol que ainda não paga imposto, lembrei-me destas obras que estão no Museum Boijmans van Beuningen, de artistas e designers que se inspiraram na crise e lhe deram a volta (lá em cima estão uns potes chineses disfarçados por Ai Weiwei,  por exemplo, aí em baixo uma nota de zero, de Dadara).

Bem melhor que o semanário de referência em Portugal, que, ao que parece, sucumbe, resigna, baixa a cabecinha envergonhado, os braços desalentados, e prepara um suplemento de natal “Troikiano” (o nome é deles), com sugestões de presentes  -com sorte escapamos e não se lembram de escrever “prendas” – abaixo dos 15 euros.  É o país que temos, dirão alguns. Pois é. E o karma que me perdoe, mas não podemos ser um bocadinho mais criativos? Menos submissos?

“Sous les pavés, la plage”

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