Ready Made

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Anda tudo maluco com as cortinas dos irmãos Bouroullec para a Kvadrat.

Há boas razões para isso. Até eu, que embirro um bocadinho com cortinas, e que as fui eliminando progressivamente da minha vida ao ponto de acordar todos os dias com a luz do sol, me rendo.

A partir de certa altura, percebemos que provavelmente ganhamos mais com as coisas que eliminamos da nossa vida, do que com aquelas que acrescentamos.

E coisas são coisas. Ou seja, tudo o que quisermos. Até aquelas que respiram.

Se olhar para trás, e revisitar as casas onde vivi, reparo que tenho que recuar bastante para encontrar cortinas. Agora resistem apenas nos lugares imprescindíveis – o quarto dos brotos, a cozinha acalorada – basicamente para atenuar a chegada da luz, e permitir que fiquem mais um bocadinho nos braços de Morfeu ou que preparemos um almoço de Verão sem derreter. E nem são cortinas, em rigor. Na minha cabeça são uma espécie de shoji, intermediários translúcidos, e necessários, entre nós e o mundo, o interior da casa e a luz que tudo inunda.

Mas os Bouroullec – eleitos Designer of the Year na Feira de Colónia, e mentores do português Miguel Vieira Baptista, que “apadrinharam” oficialmente – são exímios em reescrever o que julgávamos arrumado. Transformam qualquer ponto final num emocionante “to be continued”.

E assim desconstroem a cortina para reatá-la nesta composição elementar. O varão estica-se numa corda colorida com a tensão exacta, entre dois pontos fixos na parede. Sem argolas, sem buracos, o tecido preso por molas, como um estendal real. É essa realeza que aqui quase perturba. Em tecidos leves e inacabados, suspensos a uns palmos do chão. No peso da lã, que repousa mais abaixo, noutra altura. Em três cores – azul, branco, vermelho – que nos chegam perfeitamente, porque são precisamente aquelas, e não outras ao lado (numa versão alternativa do bleu, blanc, rouge) as que queremos.

“Little skill and few tools are needed, margin for error has been considered and perfection isn’t an absolute requirement. In fact, the charm of the imperfect in opposition to the overly sanitized interior, is something we believe in,” explicam Ronan & Erwan Bouroullec a propósito deste projecto, que apelidaram de Ready Made.

Não é a primeira vez que os Bouroullec colaboram com a Kvadrat – recordamos Clouds e North Tiles – mas é a primeira vez que a marca desenvolve um projecto direct to consumer (d2c) e não pode ter sido por acaso a escolha dos franceses.

E é um tiro mouche. Se Ready Made é um kit, se não é, pouco importa.

Em Ready Made tudo está feito e tudo está ainda por fazer.

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