Sempre cheia

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A minha irmã dizia que vejo sempre o copo totalmente vazio. Não apenas meio vazio, o que já seria suficientemente mau. Totalmente. Só a pessoa mais Zen da minha vida para me dizer uma coisa assim e não ter logo, em resposta, uma reacção exagerada.

(Como se o amor pelos extremos fosse uma faculdade extraordinária, sorrio na evocação.)

Por isso, quando ontem recebi na caixa de correio estas canecas desenhadas por nendo para a Starbucks no Japão, apeteceu-me logo fazer-lhes um brinde. E à minha irmã.

(Como se o meu amor pelo exagero não fosse maior do que qualquer pessimismo)

Para lá dos extremos, elas conseguem resolver um dos paradoxos da existência. Porque mesmo vazias, estão sempre cheias. De pernas para o ar, a secar, repousando dispostas no armário ou pendendo, leves, presas por deliciosos camarõezinhos, na sua base contêm a plenitude.

E no lugar esquecido, no lugar do não visto, emerge, na superfície espumosa do café, uma nuvem a lembrar-nos as distantes delícias daqueles que amamos, e nos amam.

(as canecas estarão à venda, a partir de 19 de Março, em exclusivo no Japão. Como se não bastasse garantirem-nos que o Sushi, lá, tem outro sabor, agora imaginamos que o café, mesmo global, também. As fotos são de Akihiro Yoshida)

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