O meu avô

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Foi um périplo memorável. Pelas três livrarias (ou lojas que vendem livros, nas Amoreiras) à procura de “O meu avô”, o fabuloso livro de Catarina Sobral que no fim do mês passado venceu o Prémio Internacional de Ilustração da Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha.

Tentámos na livraria 1 e já não restava nenhum exemplar. Tentámos na livraria 2 e nunca tinham tido sequer um exemplar (inacreditável, tratando-se da livraria que se trata). E acabámos por ir à livraria 3, que era a nossa terceira escolha (ainda que às vezes pareça mais uma loja de aeroporto), e lá estava, improvável mas inegável. Reconfortados, trouxemo-lo para casa.

Que delícia. Descobri o livro há pouco tempo, numa recensão de uma revista qualquer, e imediatamente quis trazê-lo para casa. Folheei-o com os meus brotos no chão de uma livraria, enquanto fazíamos horas (que é uma maneira construtiva de matar o tempo) e só não o trouxe para casa porque na altura não podia. Reli os livros anteriores de Catarina Sobral – “Greve” e “Achimpa” e tirei duas vezes o meu chapéu imaginário.

Que delícia. Talvez tenham sido os ecos Tatiescos, visíveis logo na capa, onde se lê “O meu avô” e onde “lemos” também “Mon oncle”. Aliás, são essas camadas de sentido que se sobrepõem, e coexistem, permitindo (pelo menos) duas leituras simultâneas que deliciam o leitor de “O meu avô”. Isso, e o jogo permanente campo/contra-campo, ponto/contraponto, em que uma página dialoga com a outra, não podendo verdadeiramente ler-se sem que se leia, também, a página ao lado, num contraste que não emite julgamentos, mas constata. Isso, e o facto do texto nem sempre se colar à imagem, e vice-versa, como se dela dependesse, preferindo Catarina Sobral instaurar um “décalage” poético, que é como verdadeiramente texto e imagem convivem, ou conversam, em harmonia.

O meu avô” é um livro para crianças – espertas – mas sobretudo para crianças crescidas (como nós). As ilustrações são maravilhosas e sintéticas. Os pormenores, visíveis no texto e no desenho, encantadores (incluindo a irresistível homenagem ao mosaico hidráulico). Está recheado de puns visuais que temos prazer em identificar e duplo prazer em partilhar com os nossos filhos (lembras-te de quem era Pessoa?). Os nossos filhos que se deliciam com a história e que podem até hesitar entre o appeal tecnológico do Dr. Sebastião, que escreve no computador, e o Avô que escreve cartas de amor, mas acabam por se render à evidência. A evidência do tempo da felicidade, que, como é óbvio, “passa a voar”.

 (nas fotos, C. entretidíssima e compenetrada  na leitura d’ “O meu avô”. O livro foi editado em Fevereiro pela Orpheu Negro. Catarina Sobral nasceu em 1985 e esta sua obra foi escolhida entre 41 presentes na mostra, todas criadas por talentosos autores com menos de 35 anos)

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