Pussy Cats

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Nunca pensei fazer um post sobre gatos. Faço parte daquele grupo de pessoas que só começa a gostar de felinos da Chita para cima (no outro dia, descobri, para surpresa minha e do S., que me acompanhava, que o Tigre é bem maior que o Leão).

Gosto, portanto, de gatos grandes, de preferência no seu estado selvagem (como os vemos nos livros ou na televisão, e um dia, talvez, dentro de um jipe nas planícies Africanas). Acho tristíssimo vê-los, pachorrentos e esmagados pelo tédio, atrás das grades – agora são vidros- do Jardim Zoológico.

E depois o extremo. Os gatos pequeninos, desde que não me ataquem sem pré-aviso a partir de uma página qualquer de Facebook, parecem-me amorosos, na sua curiosidade vivaz e autonomia. Mas não é por serem gatos. É por serem pequeninos.

Gatos grandes, gatos pequenos. Tudo bem. Gatos-gatos é que não. Mas na vida vamos crescendo (é que, limitados, e ao contrário dos gatos, só temos uma). Já não sou fundamentalista. Cada vez gosto mais de todos os animais, e não é uma aprendizagem, é um instinto. Não se explica. E as pessoas que gostam de gatos, que antes me pareciam suspeitas, despertando em mim, salvo raras excepções, uma epidémica reacção alérgica, baseada no preconceito, agora aceito-as. E mais. Intrigam-me. Quero saber porque é que gostam de gatos. E não de cães, ou tartarugas, como as pessoas “normais”.

Por tudo isto, apesar de achar uma aberração a esculturinha que aí se apresenta, decidi fazer este post sobre gatos. A esculturinha, claro está, é mais um devaneio provocatório de Job Smeets e Nynke Tynagel, Mr. and Mrs. Smeets, aka Studio Job. E é linda, no seu género, que é o deles.

Integra uma exposição que inaugura dia 5 de Setembro na Carpenter’s Workshop Gallery de Londres (agora também estão em Paris) e fica até 3 de Outubro.

Porquê gatos? Naturalmente porque lhes apeteceu. E também porque têm dois gatos – fêmeas – com nomes de pessoa (nomes artísticos também): Paula e Jambe Blanche. E também porque, como faz questão de explicar o macho do duo, em holandês-calão fêmea diz-se “poesje”, que a mim me soou a “poesia”, mas que na realidade é sinónimo de “vagina”. O que nos leva, fechando o círculo,  rizando el rizo, ao título da exposição.

Não sei que outros felinos nos trarão os Smeets, mas até um diletante assumido como Job não pode evitar um luminoso acesso de ternura:

“Let’s be honest: cats kill birds, butterflies, mice and sometimes a mole. Yet at the same time they sleep in our bed”.

É verdade. Posso até não gostar de gatos, mas intrigam-me.

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