Vila

icon-12unnamed-1Ainda é cedo para se pensar em Natal (apesar de esperarmos, a qualquer momento, que rebentem os pinheiros dourados das Amoreiras, ou não estivéssemos quase, quase a meados de Setembro) mas nunca é demasiado cedo para celebrar o “regresso a casa” à volta de uma colher de gelado

e por isso os senhores da Häagen-Dazs (esse nome maravilhoso que não quer dizer rigorosamente nada, e por isso quer dizer absolutamente tudo) apressaram-se a apresentar este bolo nevado, criação de Oki Sato (Nendo) para ser vendida exclusivamente na loja dos Champs-Élysées (lá para o Natal, digo eu).

O bolinho aldeia idílica foi apresentado no início do mês na Merci, e ao que conseguimos apurar, não derreteu nem foi fulminado por nenhum raio de alguma inoportuna orage Parisiense.

Pela parte que me toca, tenho muito boas recordações da loja da Häagen-Dazs nos Champs-Élysées. Adoro comer gelados no Inverno, e nos idos anos 90, era o sítio perfeito para estoirar alguns francos pacientemente recolhidos do fundo da carteira: a esplanada foi das primeiras “acessíveis” a ter aqueles aconchegantes aquecimentos de rua, que são como candeeiros de rua, mas em versão quentinha e simpática. Era uma delícia saborear aquelas colheres de gelado (ou apple pie, para o caso é o mesmo), cheias de açúcar, cheias de juventude, por baixo de um guarda sol branquinho, enquanto víamos Paris desfilar, geralmente indiferente (os Parisienses não são New Yorkers), imunes ao frio, com o frio apenas por dentro, deslizando por nós, exactamente como se estivéssemos enterrados no sofá de casa, cup numa mão, colherona na outra, a aparvalhar à frente da televisão num domingo de chuva.

Hoje, o programinha é diferente. Faço vilas, aldeias e cidades, com pontes, castelos, ruas estreitas e boulevards Haussmanianos, carrinhos e figurinhas, no chão do quarto dos meus filhos. O G., pre-teen convicto, já se deixou dessas brincadeiras. Pequenino, era um arquitecto, com um apuradíssimo sentido de escala e claro pendor paisagista. Já S. é outra coisa. O que lhe interessa não são tanto as cidades (em geral caóticas, e sempre em frágil equilíbrio, um desatino) mas a vida que nelas corre. São as histórias, os encontros e os desencontros, as aventuras que constrói e desfaz, que lhe interessam. Ambos, G. e S, a lua e o sol, mostram-me o mais bonito que a vida tem. As cidades, as histórias, e os gelados também.

E é porque sei que os meus filhos adorariam dar uma trinca neste bolo gelado (que se une a bolos irmãos, aldeias vizinhas, como pode ver-se aí em baixo), previsível, sim, mas encantado, que o deixo aqui.

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