Lumbersexual

icon-07ryan-goslingHipsters, you’re out. Lumbersexuals are the new awesome.

Esqueçam-nos. Os Hipsters, mesmo os originais, de Williamsburg, Brooklyn, são passé.  Passé como um Barca Velha passadísimo. Uma pena, desperdício supremo. Passas. Que, como o nome indica, são uvas extremamente passadas.  

Hip, hip, agora é ser “lumbersexual”. O termo chegou-me esta semana, via Net, em “versión original subtitulada”. Isto porque o vi numa página espanhola e  os espanhóis chamam-lhe, com orgulho varonil, “leñasexual”. Uma delícia, apenas comparável na sua pureza a “Flotamaderamac”, a alegada tradução, simultaneamente livre e literal, que os nossos irmãos com sangue na venta davam, lá pelos oitentas, ao grupo (perdão, banda) Fleetwoodmac.

Mas vamos ao que interessa. Perdoem-me os que achavam que o Playtime era um blogue sobre “design, filhos e outras criaturas”. Este post enquadra-se na última categoria: “outras criaturas”.

E que criaturas são estas, perguntam-se? São “lenhasexuais”, bien sûr. Homens barbudos, de camisa de flanela aos quadrados, unhas rematadas com terra e esquematicamente filthy. Têm bom coração. A natureza a explodir lá dentro. Por isso, são sexy.

O exemplo consumado, dizem-nos as revistas da especialidade (e o The Guardian também, vamos ser sérios) é o actor Ryan Gosling. O tipo é canadiano, de modo que a onda da madeira deve estar-lhe no sangue. Aquelas árvores enormes, que riscam o firmamento como os arranha-céus de Nova Iorque, só podem ter inspirado os pais da criatura. Mas os Lumbersexuals, parentes distantes dos banais e toscos Lumberjacks, querem deitá-las abaixo. As árvores, e os corações femininos. Depois de uma pesquisa no Google, escolhi esta fotografia do Gosling (aí em baixo) que me parece ser uma das que mais se aproxima do protótipo do homem-lenha. Sexual. O tipo é giro (sobretudo depois de ver Blue Valentine e chorar por mais) mas de camisa de lenhador e barba desalinhada é ainda melhor.

Atenção ao adjectivo: desalinhado. Não queremos cá barbas aprumadinhas que isso é uma seca. Já temos o Miguel Frasquilho, pulseirinha “sinhôzinho malta” incluída. Enough is enough. A barba tem de de ser mesmo selvagem. Indomável. Daquelas que nunca viu uma uma gillette – uma mais rústica tesoura! – em anos. Arrumadinha, mas naturalmente. À custa de festinhas, perhaps.

Qual o habitat do lenhasexual? A cidade, evidentemente. É aí, na floresta urbana, que se destacam, varrendo o que resta dos hipsterzinhos blasés. Nos bosques densos, não se distinguiriam do cenário. Sonham com cabanas, mas vivem em apartamentos. Madeeeeira! gritam com o olhar, e mais uma que cai, rendida, sem clemência, como uma árvore que não morre de pé.

Gostam de cerveja. Fica-lhes a espuma na bigodaça. Contemplam constelações.

Em Lisboa, proliferam como cogumelos. Pelos menos por estas bandas, é vê-los por aí, substituindo o secular machado pelo jornal do dia. Em vez de Timberland, Trouxa Mocha, com atacadores coloridos, que não brincamos em serviço. Generosos, bebem Sovina, obviamente. São eco-friendly. Andam à caça? Neeee… Cultivam aquele ar distante e iluminado que lhes dá tanta graça.

Desenganem-se os que pensam que os lumbersexuals pátrios  – os lenhasexuais – são vigorosos e atléticos, à pala de tanta machadada. Somos um país de brandos costumes, n’est ce pas? Suavizamos a coisa. E então surge, encantador e melodioso, o nosso homem-lenha nacional. Adivinharam? É B fachada. Pálido, poético, e sempre a fazer sopas. De cogumelos, naturalmente.

Falei de cogumelos? Os cogumelos crescem nos troncos. Das árvores. Vi-os com estes olhinhos que a terra há de comer (dentro de um pavilhão com excesso de humidade, é certo, mas maravilhosos). Portanto, o círculo fecha-se. Os homens lenhasexuais crescem como shitakes e também os devem comer, à brava, lá nas suas florestas encantadas, de musgo e de betão.

Não têm nada que ver com os bears peludos que entusiasmam parte do  universo gay. Tão pouco com a estética grunge, apesar das camisas de flanela. É assim. Por muito que gostemos dos olhos revirados de Eddie Vedder, ele continua a aparar a barba, D’Artagnan de Seattle. E nós não queremos aparas. Só genuínos, masculinos e infinitamente doces lenhasexuais.

(em cima, a capa da mais bela revista de cinema desde os Cahiers, Little White Lies, com Gosling em versão pre-lumber. Em baixo, Gosling assumido, e ainda mais em baixo, o lenhasexual português, B Fachada, sexy malgré lui)

kinopoisk.ru

 

BFachada

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2 responses to Lumbersexual

  1. Cate

    Ryan Gosling yes… Com ou sem lenha😉 uma inspiracao para os sentidos!
    Desalinhamento a 100% espero que seja para ficar! Worldwide🐘

  2. […] uma triste notícia, sim. Não só para os lumbersexuals, que não faço ideia se ainda estão na moda mas que são sempre rapazes de aspecto saudável, mas […]

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