Après Milano

icon-06IMG_6686Este postal gravura da designer portuguesa Mariana Fernandes pareceu-me perfeito para acompanhar um certo estado de espírito em modo après Milano. É na intersecção das duas cidades – Lisboa, Milão – que me situo. Como todos os lugares, que se cruzam em cada viajante.

Os postais de Mariana Fernandes (há vários, com colinas e gotas de chuva, círculos e ramos de rosmaninho) são um dos 19 projectos que os designers da Fabrica realizaram para a airbnb, numa exposição maravilhosa com o título de Housewarming. Passou-se no Palazzo Crespi e foi um dos pontos altos da semana do design Milanesa. Mas já lá vamos.

Para além de uma substancial colecção de tote bags novinhos em folha (cortesia das marcas e designers), um poster mui perseguido de Bruno Munari, alguns livros para as crias e uma série de mini potes de Nutella, voltei interceptada pela cidade e algumas coisas maravilhosas que por lá se passaram.

A conclusão é esta: Milão, o Salone, a semana do design e tudo o que acontece em volta assemelha-se hoje a uma gigantesca máquina de café de filtro. O filtro é a parte mais importante. Felizmente para todos, funciona primorosamente, e da máquina escorre um café aromático e denso, com corpo e perfume e um final amargo e doce. Ao fim de tantos anos de exibicionismo e disparate, Milão reconcilia-se com o espírito do tempo. Estamos num back to basics recomendável onde só os mais fortes sobrevivem. E agradecemos.

O Salone – a feira propriamente dita – apareceu revigorado, e pela primeira vez em muitos anos valeu a pena a visita à remota Rho. As grandes aziende italianas deixaram-se, finalmente, de mariquices. Mostraram design à séria, com alguns produtos novos (poucos, obrigada) a valerem muito a pena, e revisitações igualmente propositadas. Foi um prazer reencontrar uma Cappellini atinada, uma Moroso fulgurante, uma Alias inspirada. As pequenas, como a Mattiazzi, mostraram como é grande a sua nobreza.

Ao lado, marcas do norte, como a Artek e a Vitra apareceram imaculadas.

E depois, do lado de fora, era passear por Brera para perceber o que é um design district como deve ser, a explodir de coisas bonitas e boas.

Zona Tortona parece dar as últimas sacudidelas e suspiramos por uma reinvenção. Mas será sempre Tortona. E a distante Lambrate, pois isso, um palco ténue do frustrado takeover holandês, que parece ter já perdido o tempo e o norte.

Como em todas as grandes festas, houve estrelas e houve ausentes. A estrelinha que porventura mais terá brilhado, mesmo em low profile: Studio Formafantasma. Fazendo honra ao nome, foram uma presença ausente, espalhando o seu condão mágico por alguns dos melhores momentos de Milão. Os japoneses, de nendo a Karimoku, passando pelo ansiado projeto de porcelanas Arita 2016, estiveram em grande. A Established & Sons nunca mais ninguém a viu. Marcaram o Salone por falta de comparência.

 

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