Arita 2016

icon-06140828_1320É preciso beber um café numa pequenina taça de porcelana japonesa para perceber o que é beber um café numa pequenina taça de porcelana japonesa. Não dá para descrever, mesmo. Tenho aqui ao meu lado um pequeno prato quadrangular, passo-lhe as mãos, fecho os olhos e procuro-lhe um sentido. O sentido é mesmo táctil: uma suavidade opaca, com alguma adstringência. Porcelana com taninos.

Maravilhosa.

Vem tudo isto a propósito de um dos projetos mais inspiradores apresentados este ano em Milão. Chama-se 2016/ e reúne 16 designers de latitudes e experiências muito diferentes à volta da várias vezes centenária porcelana de Arita, no Japão. A direcção criativa está a cargo dos holandeses Scholten & Baijings e do japonês Teruhiro Yanagihara, o que tem graça, se pensarmos que foram os holandeses que começaram a exportar a porcelana de Arita para a Europa há 400 anos.

O círculo fecha-se e abre-se de novo. Os 16 designers convidados (são muitos e bons: de Tomás Alonso, novo “designer of the future”, aos impecáveis BIG-GAME, Studio Wieki Somers, TAF, Pauline Deltour e Stefan Diez) visitaram a região de Arita, no sul do Japão, para residências artísticas ao longo de 2014. Visitaram as fábricas (são 10 ao todo) e os artesãos. Respiraram aquele ar e aquela paisagem. Trabalharam em conjunto, devem ter tido imensos dilemas e encontrado milhares de soluções. O resultado deste projecto, que conta sabiamente com o apoio da região de Saga) será conhecido em 2016, quando a nova coleção 2016/ for apresentada ao público, em Milão. A ideia é muito simples: pôr o design contemporâneo ao serviço de uma indústria ancestral a precisar de sangue novo. Outra das boas ideias é que a coleção que se prepara não será destinada apenas às elites, um conjunto de one-offs com muito fumo e pouca lenha.

Cada designer está a desenvolver um projecto – com tempo, muito tempo, mas também uma meta: 2016 – e cada projecto será inserido numa de duas categorias: standard ou edition. Assim, toda a gente fica contente e abrem-se novos mercados e novos públicos. E os artesãos de Arita, que guardam e mimam esta tradição há séculos, poderão enfim respirar. Muitas fábricas e oficinas fecharam e a produção de porcelana de Arita é hoje 5% do que era em 1990. A boa notícia é que estes sobreviventes só podem ser os melhores.

(in english below)140717_1543_w140828_1311

One needs to drink a coffee in a small cup of Japanese porcelain to understand what it is to drink a coffee in a small cup of Japanese porcelain. You can’t describe it, really. Next to me is a small quadrangular plate, I pass my hands on it, my eyes closed, and try to find a meaning (sense). The sense is utterly tactile: a smooth opacity, with some astringency. Porcelain with tannins.

Wonderful.

All this is connected to one of the most inspiring projects presented this year in Milan. It’s called 2016/ and brings together 16 designers of different latitudes and backgrounds over the many times centennial porcelain of Arita, in Japan. The creative direction is led by Dutch duo Scholten & Baijings and Japanese Teruhiro Yanagihara, which is funny, if you think that it was the Dutch who started exporting Aritaware to Europe 400 years ago.

The circle closes and opens again. The 16 invited designers (they’re many, and they’re good: from Tomás Alonso, the new “designer of the future”, to the impeccable BIG-GAME, Studio Wieki Somers, TAF, Pauline Deltour and Stefan Diez) have visited the small town of Arita, in Southern Japan, for artistic residences in 2014. They have visited the potteries (10 in all) and the craftsmen. They’ve breathed that air and that landscape. Working together, they must have had huge dilemmas and found lots of solutions.

The result of this project, which has the wise support of the Saga prefecture, will be revealed in 2016, when the new collection 2016/ will be launched to the world in Milan. A very simple idea: to put contemporary design at the service of a century-old industry, bringing a fresh approach. Another good idea: the collection, under a unified brand, isn’t just for the elites, a set of one offs with a lot of smoke and no fire.

Each designer is developing a project – with time, lots of time, and also a deadline: 2016 –  and each project will be part of one of two categories: standard and edition. In this way, everybody’s happy and new markets and audiences will open. And the craftsmen of Arita, who have been guarding and cherishing this tradition for centuries, will take a big breath. Many factories and workshops have closed and the production of Arita porcelain is a fifth of what it was in the 1990s. The good news is that these survivors can only be the best.

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