Mestres das Selfies

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Se Rembrandt foi o primeiro mestre das selfies, os meninos da ECAL, a famosa universidade de arte e design de Lausanne, não lhe ficam atrás. Com sangue na guelra, eles são os novos mestres dos selfies.

A exposição interactiva #ECAL #PhotoBooth, foi das mais divertidas e inteligentes de Milão. Um chitex. A investigação dos estudantes de fotografia e design de produto procurava responder a uma questão: como é que a tecnologia (hi ou low) altera a nossa relação com os retratos, nossos ou dos outros?

As respostas vieram, cheias de espírito e de graça. Num passeio interactivo entre o analógico e o digital, 9 instalações viraram as selfies de pernas para o ar para nos mostrar como esta mania contemporânea de olhar para o nosso umbigo pode, afinal, ser extremamente saudável.

Num pátio escondido de Brera, um cabinet de curiosités experimental abria-se aos visitantes. Ao entrar na primeira sala, uma ventoinha solitária ajudava-nos a brincar com a nossa própria sombra, que até pode ser, como nos ensinou Lourdes Castro, o mais verdadeiro que temos de nós. Depois, davamos de caras com um espelho daqueles que encontraríamos na feira popular, só que este tinha um pequeno twist tecnológico: combinado com um scanner permitia-nos criar imagens horrendas, pavorosas, amorosas e distorcidas, de nós próprios. Mais à frente, uma série de gadgets de madeira, espécie de proto selfie sticks, mas muito à frente, convidava-nos a brincar aos autorretratos. Os smartphones prendiam-se aos braços carpintados com a ajuda de um rudimentar elástico, e num deles, um berbequim, que acionávamos à vontade, fazia o telefone rodopiar, registando a tontura. Enquanto alguns projectos eram altamente sofisticados (como uma projecção de uma máscara em trompe-l’oeil, ou uns autocolantes especiais que, colados à lente do smartphone permitiam ver a “face oculta” de figuras icónicas do design) outros apenas exploravam os príncipios básicos da ilusão óptica (como um espelho que deslizava até à transparência, permitindo fazer retratos mixados, colando duas caras numa só). Todos eram bons.

Talvez a grande lição de #PhotoBooth tenha sido que a tecnologia – material ou virtual – pode ser incrivelmente poética, desde que imaginada por cabecinhas pensadoras e usada por espíritos livres.

Se é para estar obcecado com a nossa própria imagem, então que seja assim. Rembrandt também estava, por isso (e para exercitar a sua arte) se pintou, ao espelho, da frescura dos 20 aninhos ao animal moribundo da velhice. Com filtros, sem filtros, podemos enfim olhar-nos nos olhos. Começando por nós próprios, é mais fácil abrir a pestana e olhar o mundo.

(as fotografias são de Nicolas Haeni. Por ordem de aparência: #TheSelfieProject, #FlatFace, #Icons, #LightBox, #Momento. Para espreitar as instantâneas do projecto #LightBox, podem ir ao photo stream aleatório)

(in English below)

6_FlatFace4_Icons 10_LightBox2_MomentoMASTERS OF THE SELFIE

If Rembrandt was the first master of the selfie the boys and girls from ECAL, the famous university of art and design in Lausanne, do not stand behind the painter. They are the new masters of the selfies.

The interactive exhibition #ECAL #PhotoBooth, was one of the funniest and smartest in Milan. Exciting. The investigation of the students of photography and product design sought to answer a question: how does technology (hi and low) alter our relationship with portraits, of ourselves and others?

The answers came, full of spirit and grace. In an interactive tour between analogue and digital, 9 installations turned the selfies upside down, to show us that this contemporary craze to look at one’s navel may eventually be extremely healthy.

In a hidden courtyard of Brera, an experimental cabinet de curiosités opened to the visitors. In the first room, a lonely fan helped us to play with our own shadow, which may turn out to be, as Lourdes Castro showed us, the truest part of ourselves. Then we bumped into a mirror like those we would find at the amusement park, only this one had a little techie twist: combined with a scanner, it allowed us to create horrendous, yet amorous, distorted images of ourselves. Later on, a series of wooden gadgets, a kind of proto selfie sticks, but very modern, invited us to play selfie. The smartphones could be attached to the wooden arm using a rudimentary elastic, and in one of them, a drill, which we would action at will, made the phone rotate, registering dizziness. While some projects were highly sophisticated (like the projection of a mask in trompe-l’oeil, or the special stickers which, glued to the smartphone lens, revealed the hidden face of some design legends) others simply explored the basic principles of optical illusion (like a mirror that slid from opacity to transparency, making mixed portraits by juxtaposing to faces in one). They were all good.

Perhaps the greatest lesson of #PhotoBooth was that technology – material or virtual – can be wonderfully poetic, as long as it’s imagined by glorious thinking heads and used by free spirits.

If you have to be obsessed with your own image, then do it like this. Rembrandt was also obsessed, that’s why he did paintings of himself, at the mirror, from the freshness of his twenties to the dying animal of old age. With or without filters, we can finally look at ourselves in the eyes. Starting with ourselves, it will be easier to open our eyes and stare at the world.

(Photographs by Nicolas Haeni. In order of appearance: #TheSelfieProject, #FlatFace, #Icons, #LightBox, #Momento. To have a peek of the photos in #LightBox, you can check the random photo stream)

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