Quatre Quarts (Times 4)

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TIMES-4-coffee-table--SchemeA minha mãe bem tentou ensinar-me a fazer o bolo mais fácil do mundo, um quatre-quarts à l’orange, mas era inglório. Mesmo com a matemática simples (1 quarto de farinha, 1 quarto de manteiga, 1 quarto de açúcar, 1 quarto de sumo de laranja) não fui bem lá. Valham-nos as Bimbys, e nós cá estamos para o caril de camarão.

Esta mesa não é um bolo, mas apetece. Chama-se Times 4, e foi desenhada pelo Gonçalo Campos para a jovem editora francesa Polit (são muito bem educados, estes meninos.). A primeira vez a que vi efoi num desenho, que vinha numa das newsletters não intrusivas do Gonçalo (ele é muito bom a desenhar objectos, mas também é muito bom a fazer newsletters não intrusivas, aquelas que apetece ler mesmo, do princípio ao fim, e que nos deixam com um sorriso). Pensando bem, acho que lhe perguntei o que andava a fazer e ele mostrou-me isto. Foi amor à primeira vista. Pareceu-me imediatamente uma versão estilizada e com patas dos queijinhos do Trivial Pursuit, só que com graça. Recuei alguns anos e vi-me, enfurecida, à frente do tabuleiro, a tentar completar o dito bolo (feito de queijos. Porque razão nos faltava sempre a fatia amarela, era a história?).

Apesar da semelhança da forma (Times 4 é inspirada numa pie chart, em que cada cor representa uma porção do todo) esta mesa é muito melhor que os irritantes queijinhos do jogo de mesa. As partes de que se compõe (são quatro compartimentos escondidos no seu interior) não caem, nem ficam encravadas. Deslizam. Revelam-se e ocultam-se como as fases da lua. É smooth. Redondinha. Sem quezílias.

A ideia é muito sedutora: uma mesa que muda, como a própria vida. Que esconde tanto ou mais do que mostra, atitude que, como se sabe, é uma das principais armas de sedução.

(Tenho um amigo que diz que gosto muito de olhar para o Tejo, que muda de cor e consistência todos os dias, porque sou como o rio, também mudo à brava, todos os dias, e nem preciso de correntes).

“Uma mesa de centro concebida para ter espaço de arrumação que permite revelar apenas aquilo que se quer. Numa divisão podem estar jogos, noutra revistas, noutra tricot por acabar, etc… no fundo todos nós temos várias facetas e nem sempre as queremos mostrar todas, esta mesa é um reflexo disso… por isso é que cada divisão tem uma cor diferente,” explica Gonçalo Campos a propósito da sua babe.

E concordamos. A verdade é que esta mesa me pareceu um mimo, cheia de compartimentos, como um navio, e segredos que deslizam em delícia, como os sonhos. Com a subtileza, a graça e a identidade a que Campos nos tem habituado, nem é grande surpresa. O que, bem vistas as coisas, não deixa de ser surpreendente.

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