Por acaso

icon-09atlasDeve ser realmente difícil encontrar alguém que desejamos rever por acaso, já que mesmo quando fazemos de propósito tantas vezes nos desencontramos.

(vem isto a propósito de uma combinação com o “homem sem telemóvel”, o único que conheço com estas características deste lado do Equador. Apesar de ambos termos sido quase pontuais – eu cheguei dois minutos antes da hora marcada, ele dois minutos depois – nenhum de nós o foi completamente. Apesar de de nos movermos, baratinhas tontas, num raio de poucos metros, conseguimos desencontrar-nos. Eu, adiantada, deixei o lugar do encontro e fui ver se o encontrava. Ele chegou um pouco depois e esperou-me, claro. Nos caminhos de cada um, quase nos cruzamos. Eu de um lado da praça. Ele do outro. Deve ter ficado escondido atrás de um eléctrico que passava. E é grande, o meu pai. Baralhada com os mistérios do tempo e do espaço, prefiro não pensar em probabilidades. Desisti de provocar acasos. Apanhar-nos desprevenidos faz parte da sua errante natureza.)

(A imagem é de um velho Atlas anotado pelo “homem sem telemóvel”, lá para fins dos anos 50)

BY CHANCE

It must be really hard to meet, by chance, someone we wish to see again, since even when we do it on purpose we so often mismatch. 

(this came to my mind after planning to meet the “man without a mobile phone”, the only one I know with these features on this side of the equator. Even though both of us were almost punctual – I got there two minutes before time, he arrived two minutes later – none of us was strictly punctual. As we moved vaguely, within a few meters radius, we somehow managed to mismatch.  Being there before time, I left the meeting place and went out to look for him. He got there a few minutes later and waited for me, of course. Taking two different paths, we almost crossed. I was at one side of the square. He was at the opposite. He must have been hidden by a passing tramway. And he is a big guy, my dad. Confused with the mysteries of time and space, I’d rather not think about probabilities. I’ve given up on provoking chance. To take us off guard is part or their wandering nature.)

(the image is taken from an old Atlas annotated by the “man without a mobile phone” himself, back in the 1950s).

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