Peep Toe Paez

icon-11IMG_0187

Ouvi por aí que a Paez abriu uma nova loja em Lisboa. Acho que Portugueses e Argentinos nunca estiveram tão perto desde os tempos da revolução, em que Che e o seu habano partiam corações (era giro, o Ernesto, e agora que está pixelizado continua cheio de pinta. Eles bem avisaram que ia ser televizada, a revolução, e pixelizada pelos vistos também).

Lisboa leva a Argentina nos pés. O resto do país também. Estamos todos a seus pés.  E andamos todos contentes.

Somos nós que as levamos calçadas, as Paez, mas na verdade beijamos o chão que eles pisam, os Argentinos, esses boludos, que para além de terem Piazzolla, Borges, Maradona e Cortázar também inventaram o paraíso andante. Calcemo-las, pois. É uma boa maneira de nos reconectarmos, se pensarmos que nos pés está a base de tudo (esqueci-me de qual é o chakra, mas é importante, lá isso é).

Estou-me nas tintas se faço parte da carneirada, rendi-me às Paez desde o momento virginal. Comprei logo umas, depois outras, depois as minhas preferidas, depois outras com pintinhas, as minhas Paez joaninha, embora sejam pretas com pintas brancas, não encarnadas com pintas pretas. São muito confortáveis, mesmo, e um upgrade considerável na história da alpargatas se pensarmos naquele pesadelo branco dos sapatinhos à la Julio Iglesias nos seus verões azuis de Marbella.

São giras por fora e são melhores por dentro. Como melancias. Se não, atentem na silhueta dos coelhinhos em poses reprodutivas a pu(lu)lar no forro macio das Paez. São um sonho. Por fora, são à vontade do freguês. Simples e perfeitinhas, queridas e arejadas. Moldam-se a nós como quem dorme em conchinha. Lavam-se que é uma maravilha. São transversais, não discriminam, pois que todos os que podem as usam, independentemente do sexo, idade, raça, credo ou religião. Combinam com uma data de coisas. São blasé quando estamos boring e arrebitadas quando andamos em desalinho.

Só não são resistentes, lamento. O que é natural para um sapatinho de pano. Se fossem mais finas, de cristal, também se partiam. Ninguém é perfeito. Depois de galgarem muitas colinas, de apanharem muitas ondas, de terra e asfalto, depois de irem à máquina algumas vezes, vão-se lixando.

As minhas preferidas já precisavam de um remendo, ou de uma biqueira, toda suavezinha e formosa como o resto do tecido. Não sei se existe alguma oficina de restauro Paez. Acho que vou pedir ajuda à minha amiga J. que recicla (perdão, upcicla) tudo e mais alguma coisa, e se calhar tem alguma ideia.

Entretanto, impossível separar-me das minhas Paez. Fazem parte de mim. São uma extensão do meu estar no mundo, e com elas nos pés cumpro o desejo secreto de tantas mulheres, que é flutuar por aí, em vez de andar. Mesmo que sejam peep toe, são Paez. E são minhas.

(para além de abrir uma nova loja em Lisboa, no Chiado – a primeira flagship da Paez numa capital europeia, e não é por acaso, porque Portugal é o segundo mercado da marca – a Paez lançou novos modelos, a atirar para a sandalette. Não me emocionam. Nem olho duas vezes, perdoem-me muito, muito. É o pecado de muita gente e de muitas marcas: quando não sabem o que fazer, começam a inventar. Às vezes dá em disparate. Às vezes não. Eu por mim continuo fiel ao original. Apologista do KISS -Keep It Simple and Smart – dos pés à cabeça. Descomplica.)

Anúncios

2 responses to Peep Toe Paez

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s