Mr. Morrison

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Mr. Morrison desembarca no Grand Hornu para uma retrospectiva de ver e chorar por mais. Deve ser de se atirar ao chão, e mesmo não podendo visitá-la, é impossível não desejar ardentemente passar por lá. Está até 13 de Setembro, por isso enquanto há tempo há esperança.

Por incrível que pareça, depois de 30 anos a desenhar o mundo como o imaginamos nos sonhos, é a primeira retrospectiva do melhor designer vivo do universo e quiçá de Inglaterra. Não é exagero. É mesmo assim, o respeitinho é muito bonito e se há coisa que Jasper Morrison inspira é respeito. A exposição chama-se “Thingness” e tem curadoria do próprio Morrison. Cheias de thingness, cheias de graça, as things estão todas arrumadinhas em prateleiras de madeira (podiam ser caixotes, mas isso já ele fez), como cavaletes, onde entre cadeiras e colheres (e muitas outras coisas úteis e silenciosas) aparecem fotografias e textos com reflexões de Morrison sobre o design.

Poucas razões me levariam à Bélgica, é um facto. Não tenho nada contra, mas, se abstrairmos de Brel e do Capitão Haddock,  também não tenho nada a favor. Mas esta exposição, o grande Jasper no palco do Grand Hornu, fazia-me sair de casa, deixar este Sol (parece que é de pouca dura) e passear-me entre os pingos de chuva, fininhos, insistentes e estúpidos com que os céus da Bélgica nos brindam dia sim dia sim.

Como uma boa notícia nunca vem só, e os livros são como as cerejas, trinca-se um e quer-se logo outro a seguir, há novo livro de Morrison, chamado A Book of Things. Ainda não me chegou às mãos, mas só a capa (está aí em cima) já é um convite à desgraça. Boa desgraça.

Morrison, que celebrou o design anónimo e pôs o dedo na ferida com o seu elogio das coisas normais – Super Normal – parece estar ainda mais radical. Ainda bem. Essencialmente, as coisas querem-se coisas. É essa qualidade, que transparece no “conforto” como no “carácter”, na “funcionalidade” como na “economia”, numa sensibilidade verdadeiramente refinada, porque sem excessos ou disparates (a lista de adjectivos completa é convincente e está aqui, no artigo que Alice Rawsthorn escreveu para o NYT), que cabe procurar nos objectos que nos rodeiam e que desenhamos, se formos como ele. Assim, teremos finalmente paz. Assim, fará sentido desenhar mais uma cadeira.

(Ultimamente, estou muito thingness. A coisidade das coisas intriga-me. Há coisas que o desapego não pode comprar. Para tudo o resto, há coisas.)

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