FU HA

icon-06Direction_FUHA_FABRICA_DAIKIN_004O calor passou. Estava quente que mordia e de repente levámos com sucessivas trombas de água sem saber nem como nem porquê. Deixámos os edredons nas camas, apagaram-se os leques e abanicos, e até o ar condicionado ficou suspenso.

Devo dizer que não gosto particularmente de ar condicionado. Arrelia-me. Arrepia-me. Prefiro ventoinhas, se possível daquelas de tecto, com umas pás lindíssimas e rítmicas, que nos embalam na sua frescura feita de monotonia.

Nunca estive em Goa, e se calhar se lá tivesse estado e precisasse desesperadamente de ar fresco para conseguir mexer-me, passava a gostar mais de ar condicionado. Não faço ideia se o ar condicionado abunda em Goa, mas as ventoinhas de pás parece que sim. E quero vê-las a bulir, ah se quero.

Mudemos o tempo. Não gostava particularmente de ar condicionado até ver, em Milão, a exposição da Fabrica para a Daikin, o fabricante de ar condicionado Japonês, com o poético título FU HA (os sons que, segundo os japoneses, emitimos quando expiramos ar, e que dão origem a palavras tão bonitas quanto o mais inpirado dos haiku. FU é o ar que expiramos quando procuramos arrefecer alguma coisa, HA o ar que expiramos quando procuramos aquecê-la.). Abriu-se um admirável mundo novo. O ar, afinal, também pode ser contemplado. Pensado. Exprimido. E não é só quando sopra as velas de um navio.

Adiante. Ao que viemos: FU HA, o exercício sobre o ar – que respiramos, ubíquo e impalpável, mas nem por isso incapaz de ganhar corpo – desenvolvido pelos designers da Fabrica foi uma das exposições mais perfeitas de Milão.  Arejada e aérea, como as ideias que imbuem estes objectos (é o conceito, estúpido, e não por acaso a direcção criativa estava a cargo de Sam Baron, que convidou o Studio Formafantasma para guest art directors). A pegada, de um e de outros, está lá, bem presente, apesar da matéria aqui ser invísivel. “O designer é o ar” lemos nas folhas de sala, amorosamente agrupadas num caderninho cheio de vento desenhado por Catarina Carreiras. Nunca o vimos tão bem, este ar que não se vê e só se sente, inspirada expiração. Mangas de vento, máquinas renascentistas, búzios de cerâmica contendo sons como brisas, e até uma série de frascos de vidro (borosilicado: aquele que se usa em provetas e outros recipientes das químicas) dando forma aos sopros daqueles que os fizeram (cada designer soprou e a forma resultante cristalizou-se num frasco arredondado).

Óbvio, mas exacto: uma lufada de ar fresco.

(as fotos, aí em cima e aqui em baixo, são de Marco Zanin)

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