Assim, sim (Serif pelos Bouroullec para a Samsung)

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Não queremos saber se Mercúrio está retrógrado e dificulta as comunicações. As empresas de tecnologia, grandes e pequenas, pelos vistos também não. Estão-se olimpicamente nas tintas para os caprichos de Mercúrio, e por isso escolheram a última semana de Setembro (e o London Design Festival) para lançar as suas novidades com design, desafiando os deuses. É o caso da suíça Punkt. que se prepara para mostrar ao mundo um telemóvel desenhado pelo grande Master Morrison (fugiu-me a boca para a verdade), com nome de código e que será apresentado na próxima segunda-feira. E também da Samsung, que convidou os irmãos Bouroullec para desenharem uma televisão.

Ronan e Erwan Bouroullec não têm televisão no estúdio, apostaria que em casa também fogem do bicho, mas isso não os impediu de trabalharem afincadamente no projecto durante 2 anos, e o resultado chama-se Serif (como o tipo de fonte). Às vezes, é estando mais alheados das coisas que conseguimos chegar ao seu âmago, e parece que foi isso que fizeram, ao propôr uma televisão que, em vez de querer desaparecer no espaço, se assume como objecto ou peça de mobiliário. Para ver e ser vista.

De perfil, a Serif parece um I maíusculo, esguia e terminando numa prateleira no topo. É uma boca, assumida e inteligente, às televisões da nossa infância, dinossauros copiosos de gigantescas proporções,  carregando nas costas bibelots e retratos de família. Naperons também. É este cliché que os Bouroullec simultaneamente recuperam e destronam, como dizendo, se é para ser assim, então que seja bem feito.

De costas, Serif está forrada com um tecido que esconde tudo o que se passa no interior e se une ao aparelho com ímans (também estas costas são nostálgicas). E, não cumprindo os requisitos de “invisibilidade” da tecnologia de hoje (quanto mais invisível, mais perigosa), Serif segue à letra a necessidade de mobilidade dos tempos modernos. Sendo uma televisão, não é estática. É feita para se mexer, para ser manipulada, e encaixar em diferentes ambientes. Se a quisermos pôr no chão, pode até apoiar-se nuns pés, que vêm na caixa das versões Serif e Serif Medium.

A primeira televisão dos Bouroullec é na realidade uma série: estará disponível em três tamanhos (pequena, média e grande) e três cores (branco, azul escuro e encarnado), e chega às lojas em Novembro.

Nós por cá, que depois de termos banido a caixinha mágica da esfera doméstica nos vimos obrigados a reintegrá-la, estamos rendidos. É caso para dizer, se vamos ter uma televisão, então que seja esta. Assim, sim.

(todas as fotografias são © Studio Bouroullec)

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