Barbas e bactérias

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A Net está cheia de notícias aterradoras e não é só por ser Halloween, porque na perspectiva das redes sociais, Halloween é quando o homem quiser, ou seja, todos os dias.

Mas sem dúvida que a mais tenebrosa das notícias, apocalíptica mesmo, é que as barbas dos nossos homens, tão suaves e adoráveis, são afinal gigantescos repositórios de bactérias. Li-a no S Moda, do El País, e nem o facto de ter pelo menos 5 meses (é um re-post) e de estar escrita em castelhano, que é sempre mais queridinho/engraçado/light (“Sabías que la barba de tu chico está llena de bacterias?“, dito assim até parece bom) foi suficiente para atenuar um estremecimento profundo.

Medo, muito medo.

Como se não bastassem os carrinhos de supermercado, que têm mais bactérias que uma retrete, as notas e moedas, que são o paraíso dos bichinhos porcalhões e invisíveis, as carteiras das senhoras, outro antro de badalhoquice portátil, e mesmo os aparentemente inofensivos lava-loiças, que, segundo alguns estudos, e apesar dos detergentes milagrosos, têm mais porcaria acumulada que uma casa de banho da Galp, agora são as barbas que estão infestadas.

É uma triste notícia, sim. Não só para os lumbersexuals, que não faço ideia se ainda estão na moda mas que são sempre rapazes de aspecto saudável, mas para uma catrefada de mulheres e homens loucos por barbas. Para todos nós, na verdade. Basta conhecermos um barbudo (um pai, um tio) e termos suficiente intimidade para lhe pregarmos um beijo na cara, e estamos feitos.

A mim interessa-me sempre o assunto. Gosto muito de barbas, é verdade. Até num homem que nunca teve barba, dê repêntxi, geralmente, são giras. Abrem um admirável mundo novo. E conheço uma data de mulheres e homens que sentem o mesmo. Derretem-se. Se é sempre agradável olhar para uma bela barba, agora experimentem tocar nela. É o céu.

Diz o artigo, resumidamente, que as barbas são pequenas colónias ambulantes de microorganismos infecciosos e que até se encontram resíduos de excrementos agarrados, como cão a osso, aos seus pelos eriçados. Ao pé disto, as famosas tartes da IKEA são umas meninas.

Ou seja, a partir de agora, roçar amorosamente a cara na barba do teu homem passou a ser o último tabú. Indecente e perigoso. Na realidade, é tão nojento como partilhar a escova de dentes. Tão indecoroso como ultrapassar aquele limite, e largar um vapor, inocente traquinho, assobiando para o lado.

O que fazemos com os nossos homens barbados, então? Beijamo-los, é claro, que o amor é cego, a beleza é invisível aos olhos, e os bichinhos, felizmente, também.

 

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One response to Barbas e bactérias

  1. Alice Matos

    E que fazemos a uma escrita assim, limpa, malgré tout, engraçada de montão, perfeita para um final de tarde para a minha cabeça tonta de ler Polinkghorne, Freema Elbaz- Luwisch e Cia? Que faço? Digo a Deus: Bless her!

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