Ella é que sabe

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Quando achava que na minha vida só havia espaço para uma Ella – a Fitzgerald, e mais nenhuma –  a minha amiga G., sempre muito moderna, antecipa-se ao Natal oferecendo-me um livro de receitas saudáveis para não fundamentalistas.

Chama-se “As Delícias de Ella”, foi escrito pela modelito guru do orgânico Ella Woodward e é um compêndio de cozinha KISS do melhor que há. Não porque nos apeteça dar beijinhos (e até pode ser que depois de cozinhar nos dê para isso) mas porque tem uma data de receitas simple and smart para pessoas atarefadas e conscientes que  já perceberam que para além de sermos o que vivemos, também somos o que comemos. Vale a pena: mens sana in corpore sano, e a história continua.

Nada disto é novo. Toda a vida me lembro do meu pai me dizer que na cozinha, o fundamental é a matéria prima. O MEC também está de acordo, com as suas odes aos pêssegos rosa de Almoçageme e à garoupa que é melhor cozida, porque sim. Vivemos num país abençoado e há que aproveitar. Tudo.

Depois vieram os ensinamentos ayurvédicos, ou coisa que o valha, e aquela evidência de que o equilíbrio está em experimentarmos alimentos de todas as cores e vários sabores – ácido, doce, amargo, salgado – e nisso os indianos são exímios. Olhem para um pratinho em qualquer restaurante Paki do Martim Moniz e comprovem.  Depois veio a Chia, a Quinoa, o Óleo de Coco que sempre serviu para cozinhar mas agora também serve para branquear os dentes, fazer uma máscara para o cabelo e hidratar a pele.

São tudo evidências. E alguns excessos. Não temos Planet B e a indústria agropecuária é pornograficamente poluente mas é compreensível a tentação de um bife uruguaio saignant, e eu estou nessa.

Por isso este livro faz tanto sentido. Tem espaço. Tem abertura. Podemos ir ao nosso ritmo e encontrar alternativas para a alternativa. Fomos ao supermercado e enchemos a cozinha de ingredientes marados e gostosos. Tahin, Vinagre de Sidra, Trigo Sarraceno. Assámos pela primeira vez beterraba no forno e para além de ser linda, também é magnífica num risotto. Substituimos, a batata, tão chata, por batata doce, com muito mais camadas de sabor. Redescobrimos o alecrim, aos ramos, depois aos molhos.

É fácil e é bom. Lembrei-me daquele dia distante em que almoçava num restaurante vegetariano afreakalhado, pratos e copos de alumínio, e no fim da refeição me diziam “Esta comida faz bem à alma”. Indeed. Como uma espécie de redenção. Quem sabe sabe, e a Ella é que sabe.

(a ilustração aí em cima, um corte de beterraba, é da Caroline Thaw. O livro da Ella Woodward está publicado em Português pela Lua de Papel)

 

 

 

 

 

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