Aravena (Alucina, Alucina)

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Há meses assim. Um dia, ficamos felizes ao saber que o chileno Alejandro Aravena ganhou o Prémio Pritzker. Uns dias depois, ficamos tristes ao saber da morte do arquitecto Português Nuno Teotónio Pereira.Na verdade, não é bem tristes. Teotónio Pereira deve ter ido de barriguinha cheia e a nós deixou-nos uma data de razões para enchermos a barriga, nem que seja porque também se come com os olhos, e estamos gratos por conviver (e viver) com a sua arquitectura e os traços da sua militância.

Não faço ideia se estes dois alguma vez se cruzaram (Teotónio Pereira nasceu em 1922, Aravena em 1967, cada um no seu hemisfério, e não é pouco) mas na minha cabeça cruzo-os com extraordinária facilidade, como estrelas dançantes, desvairadas e livres, a rasgar o céu. Mortos, vivos, “morrer é só não ser visto”, e o resto é conversa.

Nestes dias de desalento, o facto de Aravena, entre todos, entre tantos, ser “o escolhido” faz-nos pensar. Agradecer. Afinal, nem tudo está perdido. Afinal, ainda há espaço. Para continuarmos esfomeados, e loucos.

Afinal, até um homem que desenha uma cadeira para um mundo cheio de cadeiras (a inesquecível Chairless (2010), descaradamente “roubada” aos índios Ayoreo e editada pela Vitra), tem um lugar reservado lá no meio das nuvens. Aucina, Alejandro, alucina. Nós agradecemos.

Vale a pena ler o e-mail que Aravena escreveu para agradecer o prémio:

“Looking backwards, we feel deeply thankful. No achievement is individual. Architecture is a collective discipline. So we think, with gratitude, of all the people who contributed to give form to a huge diversity of forces at play. Looking into the future we anticipate Freedom! The prestige, the reach, the gravitas of the prize is such that we hope to use its momentum to explore new territories, face new challenges, and walk into new fields of action. After such a peak, the path is unwritten. So our plan is not to have a plan, face the uncertain, be open to the unexpected. Finally, looking at the present, we are just overwhelmed, ecstatic, happy. It’s time to celebrate and share our joy with as many people as possible.”

Também vale a pena investigar todo o trabalho de Aravena e perceber como é possível fazer uma arquitectura que melhore a vida das pessoas. Porque é mesmo. Em habitação social, numa universidade em Santiago, num passeio junto ao mar, reconstruindo uma cidade depois de um desastre. Ele faz tudo isto, a partir do gabinete/do tank Elemental, e pelo meio também pensa, e agita suavemente, e consegue abrir brechas na carneirada, construindo (uma espécie de contracriatividade), pondo de pé. Focando na solução, não no problema. É aqui que pasmo, e faço vénias. Menos queixume, mais acção (com cê e cê e tónica no A), como bem demonstra a sua declaração de princípio(s) para a 15ª Bienal de Veneza (28 Maio- 27 Novembro), da qual é curador, e cujo tema é “Reporting From the Front”:

We would like to learn from architectures that despite the scarcity of means intensify what is available instead of complaining about what is missing. We would like to understand what design tools are needed to subvert the forces that privilege the individual gain over the collective benefit, reducing We to just Me.”

É mesmo isto. É quase só isto. Empenhemo-nos.

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