Macaquinho do Chinês

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O meu filho G. pergunta-me porque carga de água é que os chineses só começam o ano em Fevereiro, se nós já começámos há mais de um mês. Respondo-lhe que não faço ideia mas agito-lhe a bandeira da relatividade, ou do perspectivismo, ou do multiculturalismo (bonzinho) e explico-lhe que, em rigor, os árabes (islâmicos) também não estão em two-thousand-and-sixteen mas um bocadinho mais atrás, pela simples razão de que eles não começam a contar a partir do nascimento de Cristo, que para eles é bola.

O meu filho olha-me assim:

(dava um jeitão o emoticon estarrecido dos olhos esbugalhados)

Não está muito convencido, G., e continua a andar, baralhado, e então penso que também dava um jeitão ter aqui por perto o meu primo das Américas, que é engenhêro, agricultor, e certamente uma das mentes mais brilhantes que conheço, e que para além de ser esperto que se farta também é bom rapaz. Ele de certeza que explicava ao G., assim num abrir e fechar de olhos, aquela cena complicada da Teoria da Relatividade, e depois ficávamos todos muito mais descansados e podíamos ir às nossas vidinhas neste ano da graça de dois mil e dezasseis.

(A passagem de ano quase me apanha do outro lado do mundo, viradinha para o Pacífico, onde, olhando para o planisfério cheia de saudades, realizei que muito poucos quilómetros separam os primeiros a entrar no novo ano – uns malucos numa ilha qualquer do Pacífico  – dos últimos a pôr o pé em 2016 – outros malucos numa ilha qualquer do pacífico, os Havaianos. E assim, relativamente, fica explicado que os últimos serão sempre os primeiros e vice-versa).

A verdade é que atrasados, adiantados, entramos hoje todos contentes no ano do Macaco (do Chinês), ainda por cima de fogo, que ao que dizem é altamente criativo. Ou seja, vamos abanar imensas árvores, agitar as folhas e fazê-las cair gloriosamente, fazer uma data de macacadas e virar tudo de pernas para o ar, criativamente.

O que, assim-comássim, me parece maravilhoso.

Isso e o facto de partilharmos 98% do ADN com os chimpanzés (Pan Troglodytes) e ainda assim acharmos que somos os máiores.

(na imagem,  Monkey Table, do grande Jaime Hayón, el rei da macacada, para a BD Barcelona)

 

 

 

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