E a Barbie Sardinha?

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As Barbies são como os chapéus. Barbies há muitas. Desde 28 de janeiro, então, são mais que as mães. Agora, para além da Barbie irreal, cinturinha de vespa e bem avantajada, temos a Barbie roda 26 e a Barbie ruchuchu, e ainda a Barbie estratosférica, alta que se farta.

Se Portugal fosse mais do que uma nanomigalha nas receitas da Mattel, será que teríamos uma Barbie Sardinha? Pequenina e redondinha?

Como já todos sabemos graças a uma mega campanha de comunicação (chapeau!), a Mattel, apavorada com as quedas de dois dígitos nas vendas do seu ícone de plástico, resolveu lançar um projecto ultra-secreto, chamado Projecto Madrugada, e juntou designers, marketeers e researchers para prepararem o revamp da boneca mais famosa do mundo. Depois de preparados os novos modelos – petite, tall e curvy, todos customizáveis com diferentes tons de pele e cabelo – foram testá-los, com uma data de criancinhas y sus mamás también.

Aparentemente, as crianças, cuja autoestima, de acordo com alguns estudos, se vê fortemente abalada pelo ideal de magreza da Barbie original, estiveram-se nas tintas para os novos tipos de corpo das bonecas. Nos grupos de teste observados pela jornalista que escreveu o artigo na Time, as crianças escolhiam a sua Barbie favorita em função da cor de cabelo (geralmente azul), e não da estatura. Para as mãezinhas, todas contentes porque finalmente as filhas podiam brincar com Barbies iguais a elas, o sonho desfez-se quando realizaram que as roupas de uma boneca não serviam às outras e isso ia penalizar as suas carteiras. Houve mesmo uma progenitora, provavelmente obesa ou para lá caminhando, que sugeriu que se fizesse uma Barbie ainda mais chubby, perdão, curvy.

Em que ficamos afinal? Admito que estou com mixed feelings em relação a tudo isto. Se por um lado, parece ser de louvar o esforço da Mattel em propôr ideais alternativos de beleza (a nova American Beauty), por outro, a premissa inicial permanece intocável: as mulheres, altas, gordas, magras ou pequeninas, querem-se estereotipadas. O politicamente correcto está todo lá. E isto, infelizmente, não é empowerment coisa nenhuma.

Empowerment seria que as crianças – meninas e meninos, já agora – percebessem desde cedo que estúpido, estúpido, é catalogar, e que poucas mulheres se encaixam completamente nesses “tipos de corpo” preformatados. Olhemos à nossa volta: mulheres rectângulo, mulheres triângulo, muheres pêra? E que tal mulheres mulheres? Empowerment seria desenvolver nas crianças  – meninos e meninas – a verdadeira autoestima à prova de bullying num mundo em que os gordos e as Olivias Palito se pudessem chamar pelos nomes, sem que isso significasse uma tragédia.

Bem vistas as coisas, até ficava com a velha Barbie de 1959. A graça da Barbie original era precisamente essa: a de ser impossível. Um alien, não um avião. Só a partir dessa impossibilidade nos era dado imaginar. Acrescentar. Criar um ideal de beleza só nosso, fora de qualquer estereótipo. Era porque não estava lá tudo – ou porque estava apenas o impossível-  que podia estar tudo o que nós quiséssemos.

Não me lembro nunca de querer ser loura, ter um 1,75 e pesar 50kg (estima-se que estas seriam as medidas da Barbie original se fosse de carne e osso), apesar de ter brincado com Barbies. As crianças não são tontas. Só precisam de espaço – físico, mental-  para brincar.

 

 

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