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Fácil seria dizer: não é por serem portugueses, é por serem bons. Mas não seria verdade. Sempre que um português ganha um prémio lá fora, alegramo-nos porque é bom – se for o caso – e porque é nosso. As duas coisas são inseparáveis e já explico porquê.
Esta semana ficámos a saber que dois bons projectos portugueses, a Cozinha Comunitária Terras da Costa, do atelier mob + colectivo warehouse, e The Wall Project, da ceramista Maria Ana Vasco Costa venceram dois importantes prémios internacionais, um de arquitectura, outro de design.
Uma ocasião assim é caso para exclamar: ficámos todos contentes. Todos, porque não é só um bocadinho contentes, é muito, extremamente. Todos, porque devia ser a nação inteira a alegrar-se, se estas coisas do dézaine fossem tão (re)conhecidas como a condecoração do Tony Carreira.
Estes dois projectos já nos enchiam as medidas, agora enchem-nos de orgulho. Porque são bons, porque são relevantes. Um porque vem melhorar a vida de quem não tem quase nada e mais precisa. Outro porque vem melhorar a vida de quem tem quase tudo, e não precisando de mais nada, agradece a bondade do universo, sempre generoso a expandir aquilo que é belo, o que também é importante.
Os leitores do site ArchDaily elegeram a Cozinha Comunitária Terras da Costa “Building of the Year”, na categoria de edifício público. O júri dos Surface Design Awards distinguiu a parede de cerâmica de Maria Ana Vasco Costa para o novo restaurante Loco, em Lisboa (projecto de arquitectura de João Tiago Aguiar) na categoria “Retail Interior Surface”.
Em qualquer parte do mundo, já era obra. Em Portugal, é uma empreitada gigante. Se fossemos maiores, tudo seria infinitamente mais fácil. Não precisávamos de ninguém para nos pôr no mapa, porque já lá estávamos, à nascença. Acontece que somos pequeninos. É por isso que quando um atleta português, sem apoios nenhuns, vence uma medalha (ou fica entre os 5, ou 6 ou 7 melhores do mundo) é mesmo Olímpico. É por isso que quando um realizador português, praticamente sozinho, ganha um prémio num festival de cinema por aí devíamos bater palmas de pé. Não é lamechice. Nem sequer patriotismo. É uma questão de escala. De realidades. Somos pequeninos, mas quando somos bons, somos enormes.
(Em baixo, a parede de losangos de cerâmica e a Cozinha Comunitária Terras da Costa. Outros dois projectos de arquitectura portuguesa foram distinguidos nos prémios ArchDaily 2016. A lista completa está aqui.)



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