Ilustrarte 2016

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Imaculada. Não há outro adjectivo para a exposição  Ilustrarte 2016- VII Bienal de Ilustração para a Infância, que está até 17 de Abril no Museu da Electricidade, em Lisboa.

Se não foram, deviam ir. Se já foram, deviam voltar. Devia ser obrigatório. Deviam vir camionetes cheias de chineses. E não chegava.

Visitei a Ilustrarte há umas semanas com as crias. Devo dizer que as crias gostaram, mas eu gostei ainda mais. Fiquei de queixo caído, várias vezes. E era eu quem parecia uma criança, a saltitar de casinha em casinha (é assim o design expositivo, genial, dos arquitectos Pedro Cabrito e Isabel Diniz) e a puxá-los para as maravilhas que ali repousavam. Os livros, os desenhos, lado a lado. Folheando e contemplando, que são duas das coisas que mais gosto de fazer na vida. Quando chegámos à parte da exposição retrospectiva do ilustrador francês Serge Bloch, já não cabia em mim de contente. Arrastei o G. para as pranchas do Ubu Roi, e fiquei ali a babar-me, enquanto ele olhava para a parede, depois para mim, depois para a parede. Estupefacto.

Ao todo, são 50 trabalhos de 50 ilustradores de 17 países, de um total de 1700 artistas que se apresentaram ao prémio com obras publicadas nos últimos dois anos. A vencedora deste ano foi a ilustradora espanhola Violeta Lópiz, com o livro “Amigos do Peito”, editado em Portugal pela Bruáa. O livro é maravilhoso, está cheio de delicadas rimas visuais e isso bastava. Mas há muito mais, e muitos mais. A visão de Central Park pelo espanhol Jesús Cisneros (menção especial), por exemplo. Ou a inteligência fina de Claudia Palmarucci (outra menção especial). Ou o match entre cães e cadeiras, de Cristina Amodeo (este é très Playtime, aqui sou suspeita.O livro, “Dogs and Chairs” tem o selo da Thames & Hudson e está aqui).

O júri deve ter tido uma trabalheira para escolher. A ilustração (para a infância?) é capaz de ser um dos terrenos mais férteis da criação contemporânea. Em Portugal estamos muito bem servidos, mas como se vê este mundo não tem fronteiras. A poesia, felizmente, também não.

(A Ilustrarte – VII Bienal Internacional de Ilustração para a Infância pode ser visitada no Museu da Electricidade, em Lisboa, de terça a domingo das 10h às 18h. Os bilhetes revertem a favor da campanha humanitária UNICEF- Crianças Sírias, o que torna ainda mais urgente a tal visita obrigatória. De cima para baixo, ilustrações de Violeta Lópiz, Jesús Cisneros e Cristina Amodeo.)

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