Dimensione Domestica (na sala de Achille)

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Podíamos seguir os passos do Paulo Varela Gomes e ir até Malta, ver La Valetta que diz o escritor, e não é pouco, é uma das mais belas cidades do mundo. Podíamos seguir a peregrinação anual a Milão e ir ao Salone ver as novidades do dézaine.

E se assim fosse, não poderia faltar a visita à mais bela capelinha da cidade italiana, a Fondazione Achille Castiglioni, que é de paragem obrigatória para quem ame estas coisas do design em particular e as coisas da vida em geral.

As visitas, como sempre, são por marcação. Mas vale a pena marcar, e voltar, e voltar. Este ano, ainda por cima, com uma dupla desculpa. Ali mesmo perto do parque Sempione, em Milão, a Fondazione recebe a primeira parte de uma exposição dedicada à “Dimensão Doméstica”  traçada pelos irmãos Achille e Pier Giacomo Castiglioni. O tema deste ano é “Ambiente di Soggiorno” (a sala, portanto) e a exposição assenta na reconstrução de uma sala de estar ideada pelos irmãos Castiglioni para a exposição “Colori e Forme della casa d’oggi” que em 1957 reuniu uma mão-cheia de ilustríssimos designers em Villa Olmo, Como.

Não vi, por isso só posso adivinhar, mas a ideia é simples: trazer, através de uma reconstrução, o projecto de Como para Milão, 1957 para 2016, e enquadrá-lo no fabuloso atelier de Castiglioni, que mais do que um espaço de trabalho parece, justamente, uma casa. Não uma casa qualquer, é evidente. É a casa dos sonhos. Dos meus, pelo menos e por enquanto.

A exposição inaugurou em Fevereiro e estará até 30 de Outubro. Nela, o projecto dos Castiglioni – uma sala com forma de trapézio, duas janelas, os obrigatórios objectos anónimos que encantavam Castiglioni e uma série de objectos criados ad hoc, que depois entrariam em produção e se tornariam ícones do design – surge do passado sem perder frescura. Não podia ser de outra forma. No final dos anos 50 estaria alegremente fora do esperado, do previsível, e hoje continua assim. É um espaço de liberdade e fruição, e percebe-se, de diversão. É uma caixa, completamente fora.

Para a exposição, reuniu-se material de arquivo, incluindo desenhos e fotografias inéditas, que permite reconstruir o projecto e mergulhar na génese de alguns objectos que fariam história, como os bancos Sella e Mezzadro e a estante Appesa. Tudo, imersos nas geniais “oficinas da alma” dos Castiglioni. Não sei a vocês, mas a mim parece-me uma viagem ao país das maravilhas.

(A Corraini vai editar o catálogo da exposição, e em 2017 e 2018 – ano do centenário do nascimento de Achille Castiglioni – a viagem continua, com mais duas exposições à volta de uma mesa – o tema é o almoço).

Foto Storica Villa Olmo (3) - low

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