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A parte boa desta chuva teimosa é a sua inconstância. Assim, mesmo sem o esplendoroso céu azul que já merecíamos, sempre nos distraímos com as quebras de monotonia.
Não há nada pior que aquela chuva miudinha, contínua, quase invísivel e sempre muda, que entra de fininho e não descola, mas empapa, e nos enferniza o juízo com a estupidez do seu espírito wannabe. Estas trovoadas de Primavera pelo menos têm força, fazem-se ouvir, fazem tremer os vidros e iluminar-se os céus, e depois passam, como tudo. Têm o encanto do inesperado. Nunca se sabe quando vai cair a próxima carga de água, ou quando vai aparecer um raio de sol a rasgar a bacidez das nuvens. Os céus carregados, imprevísiveis, têm a sua beleza.
Só nestes dias indecisos temos o privilégio de passar entre os pingos da chuva. Desprotegidos, ao improviso, aproveitamos as abertas na excitação do presente, sempre atentos ao que se passa lá em cima, para poder tratar do que se passa cá em baixo.
Nem está frio. Só um vento, que não tendo a gentileza dos ventos de verão, parece lavar-nos a alma. Eu, que nem gosto de chuva, até estou contente. Os deuses do tempo podem estar loucos, mas têm a sua graça.
(na imagem, o guarda-chuva inteligente de Nendo, Stay Brella, para a cadeia japonesa Seibu)
Andas a escrever pouco! Que se passa?
A minha vida é o trabalho, como diz o teu tio Zé. All is well!