Rock in Ria

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Se este post fosse o Google, diria, olhando desconfiado para o título “Será que quis dizer: ‘Rock in Rio'”.

Não, quis mesmo dizer Rock in Ria.

É assim. Aveiro Rocks. E há vida para lá de Chelas.

Em Aveiro há um Vihls de cortar a respiração. Olhos nos olhos, avisa-nos, mal apeamos da estação, que estamos fora do lugar-comum. Não fosse isto uma parede escavacada  e pregava-lhe um beijo.

As cidades portuguesas são bonitas que se fartam. Há muitas, graças ao Universo e à fúria cristã desatada por D. Afonso Henriques e rematada pelos que lhe sucederam. Aveiro é uma delas. É bonitinha, sim. Arranjadinha, também. Organizada, talvez até de mais. Como dizem os espanhóis, “se deja querer”.

Para além do olhar luminoso que Alexandre Farto generosamente nos deixou, há na cidade vários motivos de contentamento. Mesmo para quem, como eu,  percorre apenas a sua superfície, num instante, é um encanto. Chamam-lhe a Veneza Portuguesa, mas não era preciso ir tão longe. Aveiro é bonita assim, aqui, sem comparações.

Há os canais, claro, atravessados pelos Moliceiros pachorrentos, mas em vez de varandas renascentistas há edifícios Arte Nova de chorar. Como a Casa de Chá, que também é museu, serve bolos fantásticos durante o dia (só uma ideia: tarde merengada de limão) e chazinho escocês quando cai a noite. Ou o prédio da Porta 7 (outra jóinha) uma loja com objectos vintage (apetece dizer bintáaage que tem mais pinta) e mobiliário do século passado (trouxemos uma balança Krups, azul pastel, para a colecção. De azuis, não de balanças).

Em Aveiro, as ruas são bonitas, limpas e arejadas. A cidade é plana, um regozijo para quem gosta de se deslocar de bina, ou em duas patas, comme moi. A Praça da República, onde fica a Câmara, o teatro e o liceu, é belíssima.

Também há bares com paredes forradas de livros (como o simpático Guesthouse, na rejuvenescida zona da Beira Rio), um café-galeria onde se petiscam snacks saudáveis (biscoito), e restaurantes à maneira como o Rebaldaria.

E depois, há a Universidade de Aveiro, um campus pensado de raiz e construído a partir de 1973, com edifícios projectados por uma dream team de arquitectos portugueses, com coordenação de Nuno Portas. Dispensa apresentações e só vimos de passagem, mas aquela Biblioteca do Siza, com vista sobre as salinas, é uma tentação.

Sim, também há as casinhas às riscas – os palheiros – os ovos moles. Bonitas umas (as verdadeiras, que os pescadores pintavam tábua sim tábua também, não as de alvenaria) bons os outros. Também há tripas, mas estas são doces. A senhora que as vende explica que estes crepes quadriculados nasceram de um erro. São feitos da mesma massa que as bolachas, mas mal passados. São uma espécie de melhor bolo de chocolate do mundo, só que de Aveiro. A beleza do erro, sim.

Há a ria, há a praia. A Costa Nova, abraçada pela ria de um lado e o mar do outro, é um miminho. Tem um mercado que é uma maravilha. Douradas, Robalos, Sardinha, Percebes. “Amores, vai uma amêijoa?”. Percebo, sim.

Aveiro é um docinho escondido de muitos ignorantes como eu.

Aveiro Rocks. E há quem prefira viver a vida a rolar.

 

 

 

 

 

 

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