King Benjamin

icon-14

13102879_1089877884419613_4919554437643151330_n.jpg

King Benjamin was in town. Façam uma vénia a King Benjamin. Ou duas ou três, de seguida, como os “encores” de ontem no Coliseu de Lisboa. Benjamin Clementine é grande, todo ele, dos pés descalços ao topo da cabeça. Mais de perto, o cabelo de Clementine parece mesmo uma coroa. Só podia ser assim. 

Quem conhece “At Least For Now” não consegue passar-lhe ao lado. O disco nunca se estranha, depois entranha-se. Pode ser do vozeirão, poderoso mesmo quando se estende aos limites do falsete, pode ser da delicadeza poderosa e vibrante do piano. Pode ser da poesia.  A verdade é que não queremos saber. Não se explicam estas coisas.

Depois do Super Bock Super Rock e do Mexefest, já era hora de termos Benjamin só para nós. Foi o que aconteceu ontem no Coliseu, num concerto de quase duas horas em que o inglês (no man is a prophet in his own land) deixou o público positivamente de rastos. Os reis foram feitos para conquistar. E nós rendemo-nos de braços abertos, arrebatados. Benjamin é um fenómeno, dizem por aí. Sim, e depois? Benjamin é um colosso. Sentado ao piano, sozinho, num banco alto como ele. Em modo jam com a bateria, ou fundindo-se com o quinteto de cordas lá atrás.

Tivemos tempo para ouvir todos os temas obrigatórios (I ran out of songs), uma versão do Voodoo de Hendrix e uma cover de Seu Jorge, que ninguém parecia conhecer (you don’t know this song) menos Benjamin, o que não pareceu ter qualquer importância. Como o facto de Benjamin não fazer a mais pequena ideia do que estava a dizer, de resto. Ele, que come as palavras ou as martela, obsessivamente, é sempre maior do que elas.

 

É próprio dos reis fazerem a sua comédie. Benjamin, um autodidacta com um percurso atribulado (fugiu de casa dos pais sem olhar para trás, aterrou em Paris com dois tostões no bolso e começou por tocar no Metro) também faz a sua. O concerto, sempre em crescendo, foi quase uma peça: cada tema uma cena, cada cena uma oportunidade para Benjamin exorcizar os seus fantasmas, representando-os.

E é isso. Re-presentar é sempre trazer o presente para o presente. Benjamin lembrou-nos que o presente é tudo o que temos, e é muito. Foi por isso que Clementine pediu para se acenderem as luzes, para ver o público. Estava ali. Nós também.

Depois do Adiós (Benjamin foi maestro, repetiu a palavra, e o Coliseu respondeu em eco, das notas mais altas até cá a baixo, e a partir daí sempre a subir) parece que não ficou nada por dizer, e isso é raro.

Tão raro como um rasto de luz na escuridão.

(Clementine actua hoje no Porto, e amanhã em Coimbra, no Convento São Francisco. A imagem aí em cima é da lituana Jolita Vaitkute)

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios

Respond to King Benjamin

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s