Chiados e Chinas

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Um vaipe de domingo levou-me direitinha para a armadilha da Feira do Livro. Que maravilha, que horror, que maravilha. Se querem experimentar mixed feelings, vão lá.

Um mar de gente. Calor que se farta. Street food em barda, dizem que bom mas eu estava em modo bibliófago. Os providenciais seguranças com cara de tédio à porta dos stands dos grandes grupos editoriais, a fingir que olham pelos detectores de gamanço que nunca apitam. Quem apita, e não é pouco, é a senhora do altifalante, um desfile de autores de deixar uma pessoa estonteada. Se calhar é do calor.

Percorro os stands (eles preferem dizer “pavilhões”, segundo a Time Out) à procura de uma surpresa, uma pérolazinha, um achado, um capricho, um livro obrigatório. A verdade é que há muitos, para todos os gostos (por alguma razão coincidiram, nas sessões de autógrafos e mais ou menos à mesma hora,  José Rodrigues dos Santos e Ricardo Araújo Pereira. Yes.). Há imensos livros de auto-ajuda. Receitas super saudáveis e detox, mindfulness para esvaziar a cabeça de cabeças vazias, Danielles e Gustavos. Há um senhor que assalta as prateleiras como se estivesse a encher a despensa. Uma rapariga que traz a auto-estima debaixo do braço, como uma baguette.

Também há um Hamlet traduzido pela Sophia.

A senhora do microfone diz, toda contente, que num stand qualquer já estão a postos “José Rodrigues dos Santos e a Bruxa Mimi”. Que maravilha. Só a frase já dava um título de um romance promissor. Estou a passar à frente do R.A.P e peço-lhe uma piadinha por telepatia. Ele não responde. Começo a imaginar a esotérica Mimi abraçada ao Zé, até que a minha amiga S., sempre versada nestes assuntos, me esclarece que a Mimi é uma personagem de livros infantis.

Muito mais descansada, rumo ao stand da Planeta Tangerina, de onde trago dois volumes para os brotos, Finalmente o Verão e Um Ano Inteiro- Agenda Para Explorar a Natureza. Está aí uma das capas e lá voltaremos.

Também há um Gonçalo M. Tavares para os mais pequenos.

Não resisto, evidentemente, ao apelo de Clarice, até porque a capa é linda e estão lá todos, mas mesmo todos os contos. Trago também um Jules et Jim em português, porque o meu ficou perdido no Atlântico e destes já só se encontram nos alfarrabistas.

Também há o Agualusa que quase ganhou o prémio.

A minha mãe diz que não vale a pena ler um livro a menos que 1) lhe cause espanto 2) a enterneça 3) a encante, e tem toda a razão.

Por isso, vou na conversa da Elena Ferrante, a ver no que dá. É o primeiro da tetralogia. Se gostar estou feita.

Posto isto, cá em casa vamos esburacar as estantes e fazer pilhas de livros, mas sobretudo lê-los.

Não sei quantos anos depois, a Feira do Livro continua a valer a pena. Fica até 13 de Junho, com novidades e descatalogados, autores e autoras,  Chiados e Chinas, imenso amor de papel, livros do dia e flash sales (a Hora H, das 22h às 23h) para trincar.

Por isso ide, ide. Que tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

 

 

 

 

 

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