A Táctica do Losango

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Na terça-feira, como quase todos nós aqui no jardinzinho à beira-mar plantado, pus-me a ver a bola.  Não vou fazer comentários porque para isso estão os comentadores, e são mais que as mães. Para todos os gostos, porque mãe há só uma, mas filhos há muitos, e todos merecem o nosso amor incondicional. Mesmo que tenhamos a infelicidade de parir um futuro comentador da bola tomado pela acefalia (pior que isso só dar à luz um geniozinho mentecapto) ele será sempre, para sempre, nosso filho, e, como tal, merecedor do nosso infinito, inexplicável e insondável amor de mãe. É assim. A vida dá muitas voltas mas aqui não há volta a dar.

Abstendo-me de fazer comentários sobre o jogo, que para isso estão os profissionais, fico-me com um comentário sobre os comentários. Estive várias horas, no rescaldo do encontro  (hmmm, contagia-se) a saltitar de canal em canal para ver o que se dizia. Depois do tédio, a diversão. Era o mínimo. E em todos os canais, sem excepção, bati com a cabecinha não só no gélido muro islandês (batemos todos, como bem se viu pela originalidade dos títulos dos jornais do dia seguinte, do Público à Bola) como numa palavra inexistente. Repetida vezes sem conta. Por todos os comentadores que ouvi. Daquele senhor muito académico que descobriu há pouco que os barbeiros existem mesmo (e, qual Sansão voluntarioso, aparou finalmente a sua farta cabeleira, toda ela caracolinhos), aos impagáveis comentadores da CM TV, que dizem “ca” e “tênhamos” com os dentes todos e como se não houvesse amanhã, ao Paulo Futre, que muito admiro e  respeito, a sério, mesmo depois de ter comprado um Porsche Amarelo quando havia tantas cores para escolher, mas que também não escapa ao desaire generalizado.

E que desaire é este, afinal? É o losângulo, pá. A táctica do losângulo. A incapacidade da equipa portuguesa penetrar no losângulo islandês. As linhas do losângulo que só contornámos por fora. Até os ombros em losângulo do brutamontes da Islândia que ganhava todas as bolas de cabeça, digo eu.

Oh meu querido Universo, tanto losângulo que para aí anda. Haverá algum provedor do telespectador que explique a estas alminhas que se diz, e se escreve, já agora:

L O S A N G O

assim, sem ângulos, que esses só se desenham no papel?

Diz o Cândido de Figueiredo:

Losango, m., paralelogramo, cujos quatro lados são iguais, sem que os ângulos sejam rectos. sinónimo de lijonja, losanja.

Losângulos é que não. Já agora dizíamos Los Angeles, assim muito rápido, lozangeles, que também é parecido e sempre tinha mais graça.

E porque este ainda é um blogue sobre dézaine, e porque uma imagem vale mais que mil palavras, ficam aí os losangos dos irmãos Bouroullec, que são uma inspiração para qualquer um, e sempre serenam o espírito.

 

 

 

 

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