– Socialismo? Queres dizer que temos de socializar mais.
– Isso.
Isto aconteceu há alguns meses. Realizo agora que há muitos meses, antes do meu iPhone quase ser engolido pelo dilúvio do autoclismo. Não foi de propósito. Caiu. Não foi engolido, mas também não sobreviveu. Óbvio.
Ao princípio, tive saudades. Do grupo dos primos no WhatsApp. Do Instagram e da sua beleza portátil, desconhecida, longínqua e mesmo ali à mão. Depois habituei-me. Entrei involuntariamente em modo detox e dizem-me que andar com um telemóvel com teclas verdadeiras e sem funcionalidades é o novo awesome. Pode ser. Estou lá, e nem sequer tive de fazer nada.
Liberta do telefonezinho esperto, da atracção do ecrã táctil, pelo menos não serei culpada de phubbing. Não tenho como. Também escapo aos Pokemons: não os apanho, mas sobretudo eles não me apanham a mim. O trabalho empurra-me para as redes sociais e divirto-me à brava com o assunto. Dessassunto. Continuo com algumas saudadinhas do Instagram, mas passa-me rápido quando contemplo a beleza imediata do mundo, sem filtros.
Táctil é o mundo. São os outros.
(as ilustrações são do francês Jean Julien, que descobri no Instagram…)