Promenade

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El campo, ese lugar donde los pollos se pasean crudos” é a frase que mais tenho repetido para mim ultimamente. Aparece assim, sem avisar, como uma galinha descabeçada, a interromper-me as meditações. Li-a há uns tempos numa entrevista a Eduardo Souto de Moura, em que o arquitecto citava Julio Cortázar falando a propósito de Verdes Anos e da relação entre a cidade e o campo que o filme intercepta. Intrigada, fui procurar a origem da frase, e descobri que afinal é bem possível que não seja um original de Cortázar, mas de Max Jacob, a quem o argentino terá gamado descaradamente – e para bem de todos, porque sempre alarga a audiência – a inspirada formulação. A verdade é que não importa muito, ou mesmo nada, a origem ou autoria da frase, porque é genial. E vem para aqui chamada porque foi com essa frase na cabeça que entrei, com o primogénito, na exposição Eduardo Souto de Moura: Continuidade, que por estes dias está na Garagem Sul do CCB (só até 18 de Setembro, daí a urgência deste post).

A história de Souto de Moura, os Verdes Anos, Cortázar, Max Jacob e os frangos interessa-me porque é flagrantemente intertextual. Como a exposição de Souto de Moura no CCB, que arranca com um texto muito bonito de Siza Vieira, avança ao som de Miles Davis (Kind of Blue) e se “reduz” (a palavra é imprópria, porque não há redução nenhuma, só ficamos a ganhar) a sete projectos de Souto de Moura, todos portugueses, e todos explicados com maquetas e – e esta é a melhor parte – através dos belíssimos vídeos do japonês Takashi Sugimoto. Não há croquis, nem explicações. Só um percurso simples, linear e profundo. Na escuridão, quase sem palavras, começamos a perceber. Se quisermos perceber mais, sentamo-nos num bonito banco de cortiça (cortesia da Amorim) e vemos e ouvimos uma entrevista a Souto de Moura, que explica tudo muito bem, com muita graça, isto é, explica muito bem aquilo que pode ser explicado, porque talvez o mais importante não se explique.

Se nas maquetas vemos o que o arquitecto quis fazer, nos vídeos vemos o olhar do outro sobre o que fez. Começa a verdadeira promenade. Não ficamos à porta. Entramos em casa. Somos bem-vindos e contemplamos. Mergulhamos lá para dentro e saltamos pela janela, como o menino na Casa na Arrábida. Percorremos as escadas, debruçamo-nos sobre os muros,  olhamos as árvores através dos vidros. Vivemos.

E é isto. Ide. Ide.

(Para além da Casa na Arrábida (1994),  os outros seis projecto escolhidos são a Central Hidroeléctrica da barragem do Tua (em curso), o Estádio de Braga (2004), o Metro do Porto (2001), a Torre do Burgo (2007), a Casa das Histórias  (2008), e a Casa em Moledo (1991). As fotos são de José Campos tirando a última, da Casa de Moledo, que é de Sugimoto)

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