#ilovemyjob

icon-09

reading-2.jpg

Há dias em que apetece mesmo dizer “I love my job”. Sei que é aquela hashtagzinha que encanita, quando realizamos que as pessoas, para além terem vidas maravilhosas, têm trabalhos impossíveis de bons. Não só não vivem para trabalhar, como trabalham nos sítios mais improváveis e extraordinários. Divertem-se à séria. Viajam pelo mundo. São aqueles sortudos que não precisam de “férias depois das férias”, porque estão em ócio permanente. E não me refiro apenas ao meu primo dos aviões (são dois, na verdade, só que um deles é um fundamentalista fofinho anti redes sociais e vive bem sem o inshtagram) que adora postar camarões em Moçambique, coqueiros no Brasil, e estações de metro em NYC só para enervar a malta.

Mas um dia não são dias e hoje é o meu dia: #ilovemyjob. Primeiro, porque tenho um (vários, na verdade).  E depois, porque todos os dias é um trabalho diferente, e às vezes leva-me a sítios que não esperava. Por exemplo, o Palácio do Beau Séjour, em Lisboa, onde funciona o Gabinete de Estudos Olisiponenses.

E o que fazia eu no Gabinete de Estudos Olisiponenses, querem saber? Investigar, pois claro. Mas o trabalho não é para aqui chamado. Porque o que interessa, mesmo, é que #ilovemyjob. Sobretudo se for num sítio como este. Ou em Serralves.

O Beau Séjour é um lugar mágico, delicioso, e não é só no nome.

Viro-me para a bibliotecária e digo-lhe:

– A senhora tem muita sorte em trabalhar num lugar assim. É belíssimo, o “palácio”.

Ela sorri. Fica corada. Partilha a alegria que tem. A senhora é uma máquina. Em dois tempos faz a pesquisa que eu teria demorado várias horas a fazer. Encontra vários documentos que me interessam, com uma palavrinha apenas (a chave) e depois cabe-me a mim encontrar mais pistas atrás das pistas que tão generosa e prontamente me estende de mão beijada.

Manda-me para outra sala. É como uma estufa, mas cheia de arquivos. Com claridade e transparência. Até o pó dos livros parece transparente. Lá dentro, o senhor dos arquivos é  a coolness encarnada. Tem barbas e tatoos finíssimas. Está tão contente, e tão Zen, que também ele parece que não está a trabalhar. Pudera. Se calhar também diz #ilovemyjob. Como a senhora da entrada, de resto.

O senhor, bastante alto, também é uma máquina. Desconfio que é mais rápido que o processador daquele computador fin de siècle, que parece feito à medida daquele lugar, construído num tempo em que não havia computadores. Está tão feliz que me trata pelo nome, como se me conhecesse de sempre. Não é excesso de confiança, ou abuso. Também não é falsa proximidade mercantilista à la Starbucks. É mesmo boa educação.

Quem chega aqui, sente-se em casa. E não é só porque no nome o palácio contém já uma promessa de uma bela estância. Está-se bem. Mesmo bem. Extremamente profissionais, zelosos, solícitos, estes senhores abrem-nos as portas do seu domínio com uma generosidade enorme. Seja bem-vindo a este seu palácio, parecem dizer-nos. Que miminho.

(na imagem, Jean Jullien a homenagear Munari)

 

Anúncios

Respond to #ilovemyjob

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s