Festival Iminente (que seja eterno enquanto dure)

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Era urgente. Mas estivemos na iminência de falhar. Salvaram-nos uns bons amigos, que sacaram bilhetes da cartola quando tudo estava esgotado até ao tutano.

Valeu a pena. O Festival Iminente, com curadoria de Alexandre Farto, fez vibrar o jardim municipal de Oeiras no fim-de-semana que passou (e parece que quem não conseguiu ir pode ainda ver as obras até domingo, dia 2 de Outubro). Fomos para ver os artistas de alto gabarito (a frase, um miminho, foi recuperada pela Underdogs, e luzia num contentor-galeria) e para ouvir bom som. Teria dançado, não fosse a cria mais velha ameaçar com um ruborzinho perante os desenfreados passos de dança de maman (as pessoas revelam-se quando dançam, oh yeah. E as crianças nem sempre gostam de ver os adultos perder a compostura).

O certo é que estava mesmo a pedi-las. Kalaf numa cabine de carrinhos de choque a galvanizar a pista. Aquela sirene estridente que anuncia o fim de uma corrida, ou o início de um novo embate, sobrepondo-se ao hip hop, ao funk, a sei lá mais o quê. Mais uma moedinha, mais uma voltinha. Vai uma fartura da sorte, sim, muito bom, ou uns churros, espanholice igualmente gordurosa mas com graça. Lá para trás, Vhils de cimento saído de um molde de esferovite. Ao lado, Okuda a lembrar Palolo (o espanhol está na Underdogs até 5 de novembro com “New Coliseum”). Mais Menos em campanha e Wasted Rita luminosa (o neon fica-lhe tão bem). Nas árvores, Marcelo espreitava, e um gnomo também, em pixel-azulejos dos Pedrita (que também assinam o layout do festival. Tudo arrumadinho e livre, como deve ser).

Não precisamos de mencionar que o festival, que recebeu Sam The Kid e Dead Combo, entre muitos outros, encerrou com Ana Moura. É isso: sobreposições improváveis, palimpsestos em barda (a começar por Vhils, certo?), e quem perguntar “what’s wrong with this picture” só pode estar doido, porque não está nada mal, é mesmo assim.

Foi a primeira edição. Esperemos que, mantendo a precipitação criativa (o festival montou-se em 90 dias. E foi preciso um camião e uma grua para transportar a carruagem grafitada) o Iminente se possa repetir. Se não puder ser, como dizia Florbela Espanca, celebremos: “que seja eterno enquanto dure”.

(Para além dos artistas mencionados, estiveram no Iminente: Add Fuel, André da Loba, Akacorleone, Bordallo II, Clemens Behr, David Oliveira, Half Studio, Maria Imaginário, Mário Belém e Pedro Matos. De cima para baixo: Wasted Rita, Underdogs, Pedrita,Vhils, Okuda,Wasted Rita, Kalaf Ângelo, Mar, Vhils)

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