Maata-me mucho

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Uf. Que sossego.A semana passou a correr entre festividades várias: as minhas, que a idade não perdoa, e as públicas, com a inauguração do maat, que foi uma espécie de casamento cigano modernito. Nada contra, mas que esta história interminável deve ter sido uma canseira, deve. Entre os muito VIPS, a imprensa, os só um bocadinho VIPS e a plebe, foram dias e dias dedicados a abrir qualquer coisa que ainda nem sequer está completamente pronta, o que é sempre original. E naice.

A verdade é que mesmo inacabado -e uma beleza, uma espécie de wabi-sabi luminoso à beira-rio plantado – o edifício do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, projectado pela arquitecta britânica Amanda Levete, é giro que se farta. Orgânico, ousado, ondulante, contrasta com a grande arquitectura portuguesa, em princípio bem mais contida. Sendo atirado para a frente (lá em cima, no topo, a Ajuda nas costas, o Tejo todo à frente, é como um mergulho no rio) o edifício não é histérico. Não grita. Estabelece um diálogo encantador com a central eléctrica do século XX, e unirá, num futuro próximo e com uma ponte feita à medida, as duas margens da linha de comboio. Tudo isso é bom. A pele, composta de mais de 14 mil placas de cerâmica – vieram da Catalunha, da mesma fábrica que tratou do revestimento do edifício mais recente do Oceanário- oferece-nos todas as reverberações da luz de Lisboa. Por dentro, é igualmente assombrosoA sala oval, do cimo da qual podemos ver uma exposição numa só garfada, as galerias e project rooms que a abraçam com fluidez. A sinalética, assinada pelos imaculados R2.

Depois do maat, só não se espera um “Guggenheim effect” para Lisboa, porque Lisboa não é Bilbau. Não precisa. Claro que o novo edifício atrairá muitos turistas, caçadores de starchitecture e de experiências formidáveis em três dias de city break. Todos dirão, extasiados, Lisboa me maata.  Mas viriam à mesma se não existisse o maat.

Como dizia alguém com muito juízo, um museu é antes de mais conteúdo. Estão prometidas mais de uma dúzia de exposições por ano, o que pode ser um bom pretexto para nos fazermos amigos do museu. Para começar,  vimos  Pynchon Park, de Dominique Gonzalez-Foerster, um amuse-bouche para o que há de vir (a exposição Utopia/Distopia, inaugura em 2017). E O Mundo de Charles e Ray Eames cuja melhor parte é precisamente fugir do óbvio mostrando-nos o lado mais íntimo, pioneiro e interventivo do casal de designers. E o japonês Ryoji Ikeda, grande maluco estelar.  E de olho cheio, aplaudimos e seguimos em frente, à espera de mais.

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