Uma casa japonesa

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Ultimamente, ando muito Feng Shui. O que no meu caso é mais Feng Chewing. Rumina aqui, mastiga ali, hmmm não me parece, talvez sim, pode ser que não, isto fica aqui, isto vai para ali. Dou voltas e voltas à casa como se fosse uma pastilha elástica. É isso.

Mas está melhor.

Fiquei de boca aberta quando descobri que o meu elemento dominante é o metal. Isso importa, e muito, para o Feng Shui. Tem tudo a ver com elementos e cores e orientações.  Enfim, não estava nada à espera. A sério. Metal? Tenho de investigar mais, mas ao que parece, nós, os metais, somos bastante organizados e despachados. Gostamos das coisas direitinhas e de ter tudo no seu lugar. Ãn ãn. A minha cara.

Para complicar a coisa, descobri que também tenho bastante água e terra, o que mais uma vez não rima nada comigo, que me julgava toda aérea e essas coisas. A vida (terrena) está cheia de mistérios e de surpresas. A vida num plano mais elevado também, pelos vistos.

 

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Ao que ia. Os chineses, que inventaram o Feng Shui há uns valentes milhares de anos, não são nada parvos, como já deu para perceber. Há imensas coisas que fazem sentido nesta corrente, como por exemplo, pensar que quanto menos atulhada de coisas inúteis (ou estragadas) estiver a nossa casa, melhor funciona a nossa vida. Olhemos para uma casa japonesa. Basta devorar os filmes do Ozu para perceber como eles gostam de keep it simple. É tão bom. É um sossego. Tanto tatami, tanta coisa que se transporta, que se dobra, que se arruma, que se move. É a leveza. É a beleza.

Realmente os orientais são espertos que se fartam. Os japoneses, por exemplo. Foram eles que descobriram o wabisabi. Como uma graça nunca vem só, foram eles que inventaram o kansei. A beleza das coisas imperfeitas, os objectos habitados por partes iguais de inteligência e intuição: que mais se pode pedir? Eles estão lá, os japoneses. Nós devíamos era fazer vénias e mais vénias e segui-los.

Que bom seria viver sempre em lugares assim, onde cada objeto, mesmo inacabado e imperfeito, transportasse apenas beleza e afecto. Não seria preciso procurar muito mais. Seria só abrir as janelas e deixar o Chi entrar.

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(as imagens são todas dos interiores japoneses sublimemente filmados por Yasujiro Ozu. Se pudesse teletransportava-me agora para lá. O meu irmão diz que a viagem é rápida se formos pelo norte da Europa, mas ainda assim preferia o teletransporte. Também diz que o aeroporto de Tóquio é o mais silencioso do mundo, e mesmo assim continuava a preferir o teletransporte. O que gostava mesmo era de lá ir. Sayonara).

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3 responses to Uma casa japonesa

    • madmad – Autor

      Os consultores de Feng Shui usam a tabela do Ki das 9 estrelas. É a partir da data de nascimento! boa sorte!

      • Já fui investigar e parece que o meu elemento é madeira. Aconchegadinho, não me surpreende. Obrigada, vou continuar atenta. :)

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