OH la la (Open House Lisboa)

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SANTA_CLARA_©NelsonGarrido_0518

Todos devíamos agradecer imenso à Trienal de Arquitectura de Lisboa por todas as coisas boas que faz pela cidade. A sério. Uma delas, muito recente, foi organizar em Lisboa, no CCB, uma conferência com Paul Ghirardani, director de arte da Guerra dos Tronos, a série que reconciliou muito boa gente com a têbê e introduziu Jon Snow nas nossas vidas. Nós até podemos ser como o bastardo, e não saber nada, mesmo nada (de arquitectura), mas à sexta edição do Open House Lisboa – 23 e 24 de Setembro – não temos outra hipótese senão abrir a pestana, e o coração, para os espaços mais especiais da cidade, que nos recebem de braços abertos.

Foi isso mesmo que José Mateus, da direcção da Trienal, explicou ontem durante a apresentação do Open House Lisboa (OH Lisboa), quando referiu que “a vivência e a intuição são importantes em arquitectura”, e o entendimento também. É por isso que a organização do Open House tenta que, nos espaços escolhidos para integrar o roteiro, estejam presentes ou os autores dos projectos ou investigadores “conhecedores das arquitecturas” em questão. Esta vertente pedagógica do Open House  – um formato internacional, presente em 30 cidades de todo o mundo, e que em 2012 chegou pela primeira vez a Lisboa – é um dos aspectos mais característicos do evento. O outro é o facto de ser gratuito e não haver reserva antecipada para as visitas na maioria dos casos. Cada ano, o público  é convidado a entrar nos edifícios seleccionados para integrar o roteiro por ordem de chegada. Ou seja, da maneira mais civilizada que se conhece.

Desde a primeira edição, o OH Lisboa tem sido um sucesso, e o êxito é tão grande que mesmo quando o objectivo é aproximar as pessoas das arquitecturas da cidade, abrindo as portas dos espaços -públicos e privados- mais emblemáticos de Lisboa, ainda há quem fique à porta. É um caso sério de “lotação esgotada” e a única solução é repetir edifícios na edição seguinte, para que mais público os consiga visitar. Entre os edifícios mais procurados está o Aqueduto das Águas Livres (que, já agora, é visitável durante todo o ano, e bastante apertadinho lá em cima).

Se todos os anos há edifícios que repetem, todos os anos, também, há novidades. Este ano, algumas bem estrondosas, óbvias e “obrigatórias”, como o Maat, as mais inesperadas novas instalações do Ar.Co em Xabregas ou o belíssimo hotel Santa Clara 1728.  Enquanto alguns espaços são, por natureza, menos acessíveis – nomeadamente os espaços domésticos – outros há que estão abertos ao público em permanência. Os museus, do Atelier Museu Júlio Pomar à Gulbenkian,  são o melhor exemplo. Qual é, então, a diferença de os visitar durante o OH Lisboa? É que nesse fim-de-semana de Setembro (o evento já aconteceu antes, durante, e logo após o Verão, mas é na rentrée que funciona melhor) podemos ficar a conhecê-los mesmo, mesmo bem. De perto e por dentro. Sem cerimónias. Numa elegante intimidade.

Outra das novidades – e provavelmente a mais interessante – deste ano é que pela primeira vez o comissariado, que até agora era interno, é confiado, a convite da Trienal, a duas arquitectas, Catarina e Rita Almada Negreiros, do atelier can ran. Este outro olhar, já se percebeu, vai trazer uma forma diferente de flâner pela cidade. A proposta das comissárias é  desenhar um “mapa aberto” da cidade, no qual os edifícios são representados não pela planta da sua cobertura, mas pela planta do piso térreo,  acessível e convidativo. O resultado é a percepção de “uma cidade mais permeável” reflectida num “mapa com portas abertas”. O mapa aberto de Catarina e Rita Almada Negreiros inspira-se nos mapas de Roma de Bufalini e Gianbastista Nolli e faz todo o sentido relacioná-lo com um evento que é um convite, explícito e generoso, a “entrar nos edifícios” para conhecer a cidade por dentro. Vale a pena ler o texto que publicam no site da OH Lisboa para perceber o que nos espera.

Os edifícios que integram o roteiro deste ano ainda não foram revelados na sua totalidade – o que é bom, se acreditarmos que nos esperam boas surpresas nas recta final das confirmações- e a lista só deve estar fechada mesmo em Setembro.

Para além dos edifícios que se podem visitar no último fim-de-semana de Setembro – a lista integrará à volta de 70 espaços, segundo a direcção – o OH Lisboa lança dois open calls ao seu público querido e fiel: um para sugestão de espaços (se se lembrar de algum espaço incrível que eles ainda não conheçam, apresente-o, preencha o formulário aqui) e outro para propor projectos independentes e auto-financiados (eu não sei, mas esta parte parece-me importante) que possam integrar o programa paralelo de eventos desta edição do OH Lisboa. OH la la.

Mal podemos esperar por Setembro. E o Verão ainda nem começou.

(na imagem, uma das novidades do OH Lisboa 17, o Santa Clara 1728. A foto é do Nelson Garrido. O OH Lisboa é uma co-produção Trienal de Arquitectura de Lisboa e EGEAC. É um evento gratuito, quase sempre sem marcação, e para toda a família. Ah, e eu disse que a nova identidade do Open House é do Studio Ah-Ha? É mesmo. Só coisas boas.)

 

 

 

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