Porto Pauer

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oliveiras

Cheguei ao Porto com uns dias de abánço, a destempo dos European Design Awards (que juntaram todos os vencedores das anteriores edições pela primeira vez no mesmo ponto: Porto) e ainda antes do anúncio mais abençoado: em 2019, o Porto terá a sua Bienal de Design. Comme il fault.

São boas notícias. Sérias.

Mas o Porto. Aahhh, o Porto é poderoso. É muito pauer.

Afastar-me por umas ociosas horas de Lisboa fez-me reflectir: estarei eu, ex-projecto de cidadã do mundo, a criar raízes na capital? Estarei eu, alfacinha universal, a converter-me numa provinciana de Olissipo?

É possível.

Bastou largar o ninho por umas horas, fazer 313 km para norte e de repente lá estava eu, deliciada, siderada, aliviada: no estrangeiro!!!

Não estou a brincar. Sinto o apelo do Porto, e não é por tantas vezes sentir o apelo de qualquer lugar que não seja aqui. Não foi do sotaque, ainda assim delicioso: “Oh menina, aperte os cordões” (das sapatilhas, que “ténis” é desporto). Não foi só por causa da poesia dos nomes das ruas, nem pelo azul das fachadas que cintilam. Não foi por Serralves, embora seja um bocadinho inevitável ir lá parar.

Sempre senti isto. Desde a minha feliz e limitada adolescência em que achava que o Porto ia da Boavista até à Foz. Felizmente há mais Porto. Há muito Porto e isso é bom.

Não consigo descrever bem o que sinto quando lá estou. Talvez sinta só isto, e queiram desculpar o cliché: sinto que cheguei a bom porto. Talvez seja da minha costela Portuense, um avô que dizia bintoito (sem o “e”)  e dezoito (com os “o” fechados) e se espantava pelo modo como cá em baixo assassinávamos a palavra “rio” numa correria pegada.

Mas o Porto é assim: a dimensão certa, as pessoas boas, com uma classe “bintáge” e esbanjando charme pelo céu tantas vezes nublado (não se pode ter tudo). É fácil amar o Porto e fácil seria lá ficar.

Lá em cima e aqui em baixo alguns postais do Porto, a cidade onde se pode espreitar o Douro de vários ângulos inesperados (como uma antiga cela, no actual Centro Português de Fotografia, edifício reabilitado por Souto de Moura. Por estes dias acolhia uma exposição de fotografias da Rainha Dona Amélia, que para além do interesse que tem per se, me fez pensar numa arqueologia do Instagram. Lá iremos), comprar um Kimono maravilhoso numa loja fora-fora (depois mostro o Kimono, que na realidade é um Haori, arrebatado na boa-demais-para-ser-verdade Out to Lunch), folhear os delicados calendários beija-flor, beber uma cerveja entre as Oliveiras, ver uma exposição do super talentoso Júlio Dolbeth na Rua Formosa, descobrir Julie Mehretu, em Serralves (apanhamos um bocadinho da visita guiada, pela própria), comer uma focaccia memorável, deliciar-se com a melhor ilustração deste mundo e do outro na Ó! galeria, comprar chá ou produtos frescos num mercado bio dentro de um centro comercial dos anos 80, ouvir música de rua electrizante, e os passarinhos num dos jardins mais bonitos deste lado do Equador.

ilustra.JPGEncontrámos o beija-flor na rua

malucos.JPGSó malucos

this_is_the_sea.JPGSe pudesse, trazia-os todos

indeed.JPGNa luminosa Rua do Almada (recomendada pela minha amiga R.)

tokio.JPGChloé Perarnau na Ó!

o_galeria.JPGO sofá mais conhecido do Porto na Ó! Galeria

 

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